EFEWashington

A diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, reconheceu nesta quinta-feira que há "margem de melhora" no sistema de comércio global, mas ressaltou que deve haver "cooperação" perante as críticas frontais do presidente americano, Donald Trump.

"Sem dúvida, há margem para melhorar o sistema de comércio global (...) Mas deve ser feito de maneira cooperativa", indicou Lagarde em entrevista coletiva no início da assembleia do FMI e do Banco Mundial (BM).

O encontro será o primeiro com a participação do novo governo de Trump, representado pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que lidera uma cruzada contra a globalização e a favor do nacionalismo econômico.

Lagarde afirmou que nas reuniões serão discutidos os meios de "como fazer o comércio mais justo e eficaz possível" e acrescentou que "isso inclui um campo equilibrado e não recorrer a medidas protecionistas".

Para a diretora do FMI, o comércio foi um dos "principais motores" de crescimento das últimas décadas, por isso é importante defendê-lo para que contribua com a revitalização econômica.

As diferenças entre o FMI e Washington ficaram mais evidentes nesta semana quando o secretário de Comércio, Wilbur Ross, qualificou de "estupidez" as acusações de que os EUA estão adotando uma postura protecionista.

O presidente americano também deve assinar nesta quinta-feira um memorando para reativar uma lei de 1962 que lhe permitirá impor restrições às importações por motivos de segurança nacional.

Assim que chegou ao poder, Trump retirou os EUA do Acordo Transpacífico (TPP), negociado por seu antecessor, Barack Obama, com outros 11 países do Pacífico; e prometeu renegociar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) com México e Canadá, por considerá-lo "desastroso" para os trabalhadores americanos.