Quito, 19 mai (EFE). - O governo do Equador reafirmou a validade do asilo concedido ao australiano Julian Assange, que está na embaixada do país em Londres desde 2012, informou o ministro das Relações Exteriores equatoriano, Guillaume Long, em coletiva na sede do órgão nesta sexta-feira.

"O Equador reitera a vigência de asilo concedido (a Assange)", disse Long no pronunciamento, insistindo no pedido de que as autoridades do Reino Unido concedam "o salvo-conduto que permita a Assange desfrutar de seu asilo no Equador", em vez de ficar na embaixada em Londres.

Ele apontou que a proteção do Estado equatoriano "existirá enquanto permanecerem as circunstâncias que motivaram a concessão" do asilo, "em particular o receio de sofrer reais e potenciais atos de perseguição política". O ministro indicou que a decisão divulgada hoje de encerrar a investigação preliminar aberta em 2010 contra o fundador do Wikileaks, envolve "a extinção do processo" contra ele na Suécia, e o Equador "comemora" essa notícia.

"Temos, finalmente, uma oportunidade das partes envolvidas de acabar com essa situação. Já chega. Foram sete anos de detenção arbitrária e sem acusações", disse.

O chanceler enfatizou que a ordem de detenção europeia contra Assange não tem mais validade e voltou a criticar a demora nas ações do Ministério Público sueco, pois desde que o Equador concedeu asilo ao jornalista era "urgente e factível" fazer o interrogatório na embaixada do país.

Em um inesperado anúncio, o Ministério Púbico da Suécia comunicou hoje o encerramento da investigação contra Assange por um suposto estupro, o que representa a suspensão da ordem de prisão internacional que estava em vigor. Apesar disso, a Scotland Yard informou que ainda é obrigada a cumprir a ordem de prisão emitida pela Corte do Reino Unido se o escritor sair da sede diplomática, em virtude de uma solicitação de extradição da Suécia.

Ao saber da decisão, o fundador do WikiLeaks escreveu no Twiiter: Detido por 7 anos sem acusação, enquanto meus filhos cresciam e meu nome era difamado. Não perdoo nem esqueço".

Assange sempre disse ter medo de sair do edifício diplomático e ser entregue aos Estados Unidos, onde enfrentaria um julgamento militar pelos milhares de vazamentos feitos sobre o governo americano em seu site.