EFEBrasília

O presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram em conjunto para impedir o avanço da operação Lava Jato, disse o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, em um documento divulgado nesta sexta-feira.

Segundo Janot, Aécio, "em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos".

"Desta forma, vislumbra-se também a possível prática do crime de obstrução à Justiça", ressaltou Janot, citado no texto da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin de ordenar a abertura de um inquérito para investigar Temer, Aécio e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) em função do acordo de delação dos donos do grupo JBS, Joesley e Wesley Batista.

A delação de Joesley colocou Temer no centro de um escândalo de corrupção. O empresário confessou que a JBS pagava propinas a Temer desde 2010, segundo documentos divulgados hoje pelo STF, e gravou uma conversa tornada pública na quarta-feira e que compromete diretamente o presidente.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a gravação mostra que Temer deu "aval" ao empresário Joesley Batista para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e que está preso por corrupção também no âmbito da Lava Jato.

Temer negou qualquer tipo de ato ilícito e, ontem, fez um pronunciamento no qual negou que renunciará ao cargo, apesar das pressões da oposição e de alguns setores de sua base política.