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O Equador fará gestões junto ao Reino Unido para que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, possa deixar a embaixada do país em Londres e viajar para Caracas, afirmou nesta sexta-feira o chanceler Guillaume Long em entrevista à Agência Efe.

"Agora a bola está no campo do Reino Unido, fizemos um pedido para que eles deixem o senhor Assange sair. Que ele saia e esse problema seja resolvido. Certamente, aqui na Chancelaria equatoriana, estaremos fazendo todas as gestões diplomáticas para que assim seja", afirmou o diplomata.

Long pediu hoje publicamente ao governo do Reino Unido que conceda um "salvo-conduto" ao fundador do WikiLeaks já que a Promotoria da Suécia decidiu encerrar a investigação preliminar aberta há sete anos contra Assange por suspeita de estupro.

Segundo o chanceler equatoriano, a ordem de prisão contra Assange na Europa perdeu força legal. Portanto, não há nenhuma razão para impedir que ele possa sair da embaixada na capital britânica.

"Evidentemente é uma notícia muito positiva do nosso ponto de vista, do ponto de vista desse caso, de todas as partes envolvidas. Falta agora que o Reino Unido resolva agora um tema que é muito menor comparado à magnitude do tema que havia na Suécia", disse.

"É um tema de liberdade condicional que eles podem resolver, acredito, de forma imediata. Uma vez que isso seja resolvido pelo Reino Unido, Assange poderá enfim desfrutar de seu asilo e viajar para o Equador", indicou o chanceler à Efe.

Long explicou que o asilo, concedido em 2012 pelo temor de uma prisão e uma extradição motivada por fatores políticos relacionados com os vazamentos do WikiLeaks, deve ser em um "país" e não em uma embaixada.

"Quase cinco anos na embaixada equatoriana em Londres, sem acusações. Isso é uma violação claríssima do devido processo e é do que as Nações Unidas chamaram de detenção arbitrária. Portanto, é bom que a Promotoria sueca não tenha sido acusado porque encerra esse assunto", argumentou o chanceler.

No entanto, Long manifestou sua "indignação" pela demora na hora de fechar o caso.

"É lamentável que tenha demorado quatro anos, mais de quatro anos, para realizar o depoimento para o qual sempre oferecemos nossa baixada. Depois, uns seis meses mais para decidir se iam ou não fazer acusações. Verdadeiramente, essa demora é desnecessária, injusta, viola os direitos humanos de Assange", criticou.

Em uma previsão sobre o impacto que terá a próxima mudança de governo sobre a política externa do Equador de forma geral, e sobre o caso Assange em particular, Long lembrou que o presidente eleito do país, Lenín Moreno, foi claro.

"Ele deu várias declarações públicas dizendo que o asilo de Julian Assange está confirmado. Então, eu não vejo nenhuma mudança nesse sentido", indicou.

Em um plano mais geral, o diplomata se disse convencido que a política externa de Moreno continuará sendo soberana e que busca uma inserção estratégia do Equador no mundo. "Buscaremos sempre o que buscamos nesse ano: diversificação de nossas relações internacionais".

Uma diversificação que inclui, como eixos centrais, o apoio à integral regional latino-americana.

Long foi mais cauteloso ao responder sobre a situação da Venezuela. "Eu acredito que me pronunciei sobre o que eu vejo como uma continuidade por parte do governo que vai entrar, mas os temas centrais da política exterior devem ser respondidos pelo próximo chanceler", concluiu. Por Elías L. Benarroch.