EFE | Brasília

Os sindicatos brasileiros ratificaram nesta quarta-feira a convocação para a jornada de "lutas" e greves marcadas para amanhã, embora haja clara divisão entre as entidades com relação ao posicionamento diante do governo federal.

As manifestações de amanhã, forma de adesão dos sindicatos aos protestos que se espalharam pelo país em junho, deverão se transformar em uma verdadeira queda de braço entre as centrais operárias opositoras e as que apoiam o governo, a maioria.

A "agenda de reivindicações" da CUT, entre outros pontos, exige a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e que se destine 10 % do orçam
A "agenda de reivindicações" da CUT, entre outros pontos, exige a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e que se destine 10 % do orçamento nacional à saúde pública e 10 % do Produto Interno Bruto (PIB) à educação. EFE/Arquivo

Embora as principais centrais trabalhistas do país tenham se unido na convocação, os objetivos nem sempre são os mesmos e deixam claras as diferenças de aceitação em relação ao governo.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior união de sindicatos do país, controlada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), já esclareceu que as manifestações não pretendem ir contra o Executivo.

Em comunicado, a CUT esclareceu que não convocou para amanhã uma "greve geral", mas uma "jornada de lutas", cujo objetivo é apresentar ao governo a agenda de reivindicações da classe trabalhadora.

A entidade também advertiu que, nas manifestações ocorridas em junho, "se constatou que a imprensa, os setores conservadores e a direita tentaram influenciar a favor de objetivos alheios aos interesses da imensa maioria do povo".

A "agenda de reivindicações" da CUT, entre outros pontos, exige a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e que se destine 10 % do orçamento nacional à saúde pública e 10 % do Produto Interno Bruto (PIB) à educação.

Além disso, reivindica mais agilidade na reforma agrária, apoio à proposta do PT para acabar com os "monopólios na imprensa" e a realização do plebiscito proposto por Dilma para que a população seja consultada sobre uma reforma política.

O próprio partido de Dilma Rousseff pediu que a militância se unisse à "jornada de lutas", respaldando a presidente e apresentando propostas que ajudem a orientar o governo em seu "propósito de servir aos interesses dos trabalhadores".

O secretário nacional de Movimentos Populares do PT, Renato Simões, conclamou aos sindicatos e seus correligionários que se manifestem a favor das medidas adotadas por Dilma para a melhoria dos serviços públicos, tal como reinvindicado durante os protestos de junho.

"A presidente teve um papel extremamente importante nos últimos dias, ofereceu soluções concretas para a saúde, a educação e o transporte, e propôs uma reforma política", afirmou Simões.

Na oposição, a Força Sindical respalda a maioria das propostas da CUT, mas convocou uma "greve geral" para manifestar suas críticas ao governo e exigir a destituição do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Vamos pedir a cabeça do ministro Guido Mantega. Queremos mudança na política econômica e redução na inflação, que corrói o salário do trabalhador", garantiu o presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva.

O líder sindical também criticou a adesão do PT aos protestos, afirmando que quem apoia o governo "está contra os trabalhadores".

A central Conlutas, dominada por grupos marxistas, também convocou uma greve geral e um protesto contra o governo que "põe em primeiro lugar os interesses dos bancos, das empresas multinacionais e do agronegócio, e esqueceu os trabalhadores".

José Maria de Almeida, coordenador do Conlutas e presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), assegurou que a paralisação será respaldada por sindicatos do metrô de São Paulo e associações de metalúrgicos e petroleiros, entre outros.

Publicidad