EFE | Rio de Janeiro

Cerca de 400 soldados do exército e diversas forças policiais reforçaram neste sábado a segurança na cidade de Humaitá, no Amazonas, onde se registraram conflitos entre nativos e não índios nos últimos dias.

O conflito começou com o desaparecimento de três homens no último dia 16 e que os moradores da região atribuíram aos índios da etnia Tenharim.

O conflito entre os índios Tenharim e outros moradores da região ocorrem na cidade de Humaitá, no Amazonas. EFE/Arquivo
O conflito entre os índios Tenharim e outros moradores da região ocorrem na cidade de Humaitá, no Amazonas. EFE/Arquivo

Os desaparecidos são Aldeney Ribeiro Salvador, técnico da Eletrobrás, o professor Stef Pinheiro e o comerciante Luciano Ferreira Freire.

Em protesto pelo desaparecimento, um grupo de moradores de Humaitá, município situado a 590 quilômetros ao sul de Manaus, capital do estado, incendiou na quarta-feira a sede da Funai, um barco e vários veículos usados pelo órgão.

Na quinta-feira foi destruído um ponto de controle que os índios tinham instalado em uma estrada que passa pela reserva e que era usado para cobrar pedágio dos veículos que passam pela zona.

Um grupo de perto de 140 índios está desde quinta-feira abrigado em um quartel do Exército para evitar sofrer agressões da população.

A operação policial foi iniciada hoje para prevenir novas agressões e começar as buscas dos três homens dentro do território indígena. Participam soldados do exército e agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança, da Polícia Rodoviária Federal e a PM do Amazonas.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à população que não faça manifestações racistas contra os índios e ordenou que sejam retiradas as mensagens discriminatórias que apareceram na internet.

O MPF pediu aos administradores do Facebook que apaguem "o grande volume" de mensagens racistas contra os índios publicados na rede social, segundo um comunicado.

A Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea) cobrou das autoridades "medidas urgentes" para localizar os desaparecidos e acusou a Funai de omissão no caso.

Em comunicado, a Funai repudiou os "atos de vandalismo" cometidos pela população de Humaitá e esclareceu que não compete ao órgão investigar o desaparecimento de pessoas.

"Solicitamos que a população atue no sentido de contribuir também com a reversão desse quadro perigoso e negativo, com a liberação dos acessos aos municípios da região para que as autoridades policiais possam realizar seus trabalhos e tranquilizar todos moradores daquela região", afirmou a Funai no comunicado.

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