EFE | Caracas

O governo da Venezuela e seus partidários começaram nesta quinta-feira os atos que lembrarão por dez dias o segundo aniversário da morte do presidente Hugo Chávez e que iniciaram com os agradecimentos do atual chefe de Estado, Nicolás Maduro, pelo apoio que recebeu do chavismo desde então.

A morte de Chávez no dia 5 de março de 2013, após uma longa batalha contra o câncer, foi lembrada hoje, desde bem cedo, com o lançamento de fogos de artifício em Caracas e terminou com um ato religioso no Quartel da Montanha, lugar onde repousa seu corpo.

Nicolas Maduro (c), durante evento que celebra o segundo aniversário do ex presidente Chavez. EFE/Miguel Gutiérrez
Nicolas Maduro (c), durante evento que celebra o segundo aniversário do ex presidente Chavez. EFE/Miguel Gutiérrez

Este foi o evento principal do dia liderado pelo presidente Nicolás Maduro, com a presença dos poderes do Estado, parentes de Chávez, representantes diplomáticos, convidados internacionais e centenas de admiradores do falecido comandante.

No também conhecido como 'Cuartel del 4F', em alusão à tentativa de Golpe de Estado comandada por Chávez em 4 de fevereiro de 1992, aconteceu a missa pouco depois de uma salva de canhões nesse mesmo recinto militar, que lembra todos os dias às 16h25 locais, o momento da morte de Chávez.

As Forças Armadas, instituição que viu Chávez crescer até chegar ao grau de "comandante supremo", lhe renderam homenagem em um ato no qual o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, disse que o comandante "fez o povo acordar".

Padrino assegurou que "hoje em dia, todos aqueles que se opuseram a ele, que o maltrataram, reconhecem Hugo Chávez como um verdadeiro líder" e desafiou "quem poderia indicar qualquer ato de desonestidade em suas ações?".

Maduro não tomou a palavra durante o ato no Quartel da Montanha, mas o fez em outro evento horas antes na Praça Bolívar, na capital, ao destacar que a data de hoje era "um dia cheio de emoções, de sensibilidades, de lembranças".

"Há dois anos, exatamente às 16h25 (17h55 de Brasília) da tarde, partiu em um voo eterno rumo à vida celestial aquele que foi nesta vida o maior líder que a Venezuela teve depois do Libertador Simón Bolívar: nosso comandante Chávez", lembrou.

Para o atual chefe do Executivo, Hugo Chávez deixou sua marca no país através de suas lições, doutrinas, ideias e amor, o sentimento que, para Maduro, melhor descreve seu mentor político.

"Se hoje nos perguntam quem foi Hugo Chávez, uma só palavra o descreveria: amor", garantiu.

"A força do amor profundo pela pátria venezuelana, foi a força do amor de (Simón) Bolívar que ressuscitou com o povo o amor que tudo pode, o amor que é a força de Deus, o amor que é a força que cria e que faz tudo", declarou.

Maduro também agradeceu o apoio que recebeu dos venezuelanos nestes dois anos após a morte de Chávez, apesar de a crise econômica pela qual o país atravessa ter feito despencar seus índices de popularidade, segundo as pesquisas dos institutos Hinterlaces e Datánalisis, que situam a aprovação de sua administração em entre 20% e 30%.

"Tenho, como presidente, que dizer aos senhores, homens e mulheres. Dois anos depois tenho que agradecer o apoio que me deram como presidente", disse Maduro.

Um período em que, assegurou, enfrentou "obstáculos, emboscadas" e um "ataque permanente", uma situação que afirmou saber que aconteceria "desde o primeiro momento em que o comandante Chávez me deu a ordem de assumir a batuta".

Além das comemorações, hoje se confirmou a chegada amanhã, a Caracas, de uma delegação de chanceleres da União das Nações Sul-americanas (Unasul), liderada pelo secretário-geral, Ernesto Samper, em uma nova tentativa de reativar o diálogo entre governo e oposição, paralisado desde meados do ano passado.

Os chanceleres de Brasil, Colômbia e Equador viajarão para a capital venezuelana com o objetivo de contribuir para a "despolarização" do ambiente político, segundo Samper.

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