EFEAntonio Torres del Cerro. Paris

Antes uma presença constante na seleção brasileira comandada por Pia Sundhage, a meia Luana ficou quase nove meses longe dos gramados e não pôde ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio devido a uma lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo sofrida em um treino do Paris Saint-Germain em março do ano passado.

Totalmente recuperada, ela tenta agora retomar o espaço na seleção e também no clube, que vai encarar amanhã o Lyon pelas oitavas de final da Copa da França.

Em entrevista à Agência Efe, a jogadora nascida em São Bernardo do Campo (SP) lembrou o árduo processo de recuperação após a lesão.

Luana, de 28 anos, lamentou que tenha se lesionado em um momento crucial da última temporada, quando o PSG lutava pelo título da Liga dos Campeões com ela como titular, e a poucos meses dos Jogos de Tóquio.

"Tive um acompanhamento psicológico por parte da seleção, eles oferecem. Foi um período difícil, um processo muito solitário, que requer muita força de vontade, dedicação e resiliência. O importante é não pular etapas e comemorar cada pequena vitória", contou.

A volta aos gramados pelo PSG após 282 dias afastada foi triunfal. Em 16 de dezembro, ela atuou por pouco mais de 20 minutos na goleada por 6 a 0 sobre o Breidablik, da Islândia, e balançou a rede em cobrança de pênalti.

"Eu estava um pouco nervosa, foi bom ter aquela sensação de estar com os torcedores, e marcar um gol foi melhor do que eu imaginava", disse.

Luana também comentou que nos meses em que esteve fora "muita coisa mudou" no PSG, que ganhou o Campeonato Francês em junho, quebrando uma hegemonia de 14 anos do Lyon.

"É uma equipe que joga junto há seis ou sete meses. Eu evoluí técnica e fisicamente desde que voltei, há um mês. É preciso ser paciente, se esforçar ao máximo e esperar a oportunidade aparecer", afirmou.

VOLTA À SELEÇÃO.

Sobre um eventual retorno à seleção brasileira para a Copa América de 2022, na Colômbia, Luana disse não ter falado diretamente com a técnica Pia Sundhage, que a chamava regularmente antes da lesão.

Em 2019, a meia defendeu a seleção - na época comandada por Vadão - na última Copa do Mundo.

"Não sei se ela vai contar comigo para esta convocação (em 1º de fevereiro, para um torneio internacional na França), mas vou continuar trabalhando para estar disponível para a seleção", afirmou.

"Ela (Pia) trabalha duro e gosta que as meninas façam seu melhor, ela gosta de disciplina. Foi isso que ele trouxe nestes dois últimos anos", comentou Luana.

Faltando quatro meses para a Copa América, a jogadora reconhece que está na hora de convencer a treinadora a convocá-la.

"Encaramos com muita seriedade, podemos ganhar nosso lugar na Copa do Mundo (de 2023) lá, e isso servirá como preparação para o futuro, dando uma chance às meninas mais jovens", disse.

Luana tem muita bagagem no futebol. Depois de atuar pelo Centro Olimpico no Brasil, ela defendeu Avaldsnes IL, da Noruega, e Hwacheon KSPO, da Coreia do Sul, antes de chegar em 2019 ao PSG.

"Na Noruega tive que me adaptar a um futebol de mais força física. Na Coreia, era muito técnico e rápido, e na França é uma mistura de tudo: força, técnica e muita intensidade", contou. EFE