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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, reuniu-se nesta sexta-feira com o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, para discutir a necessidade de unir esforços e encontrar uma saída pacífica para a crise da Venezuela, ainda que os dois países divirjam sobre o tema.

Araújo, que ontem esteve com o presidente Jair Bolsonaro em visita à Argentina, reiterou que o governo brasileiro dá "apoio total" a Juan Guaidó, líder do parlamento da Venezuela que se autoproclamou presidente interino do país.

Apesar de reforçar o respaldo a Guaidó, o chanceler brasileiro disse concordar com a avaliação de que é preciso união para pôr fim à atual situação na Venezuela. Para Araújo, cada há mais convicção de que a crise no país vizinho é "totalmente insustentável".

"Temos uma visão conjunta sobre o objetivo último e é uma visão convergente sobre o futuro democrático desse país irmão", disse Araújo ao lado de Nin Novoa, que visita o Brasil pela primeira vez desde a posse de Bolsonaro em janeiro.

O Brasil é membro do Grupo de Lima, formado por países do continente americano que reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela e são críticos do governo de Nicolás Maduro.

Já o Uruguai integra o Grupo Internacional de Contato, criado pela União Europeia com outros países latino-americanos. O bloco conserva uma postura mais moderada em relação à crise venezuelana.

Nin Novoa pregou que os países deixem a diferença de lado porque todos querem que os problemas sejam solucionados na Venezuela. Como exemplo desse esforço conjunto, o chanceler do Uruguai destacou a reunião entre integrantes dos dois grupos nesta semana na ONU, no que seria um passo em favor de uma solução pacífica para a crise.

"Esperamos que, com um esforço latino-americano, que é o caminho mais adequado, a região se livre de conflitos. Mas a solução tem que ser venezuelana", disse Nin Novoa após o encontro.

O chanceler uruguaio também revelou que o país discutiu a crise da Venezuela com Cuba, um dos principais aliados de Maduro, mas preferiu não entrar em detalhes sobre essas conversas.

"Conversamos com todos os países que querem conversar, mas preferimos manter um perfil de reserva. Não podemos discutir esses assuntos através da imprensa", ressaltou o chanceler.