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O governo do Brasil notificou o da Espanha que procederá com a extradição, em no máximo 60 dias, de Carlos García Juliá, condenado por participar de um ataque terrorista de extrema-direita realizado em Madri, em 1977, e que foi preso em São Paulo em dezembro do ano passado.

A embaixada espanhola em Brasília recebeu ontem a notificação da concessão de extradição do governo brasileiro, segundo explicou à Agência Efe um porta-voz da representação diplomática.

A partir do aviso, de acordo com o tratado de extradição firmado entre os dois países, o Brasil tem prazo máximo de 60 dias para entregar García Juliá para a Espanha.

Durante esse período, as duas partes entrarão em acordo sobre a data e o local da entrega, assim como as condições com que será realizado o transporte do condenado.

A extradição do antigo integrante do grupo de extrema-direita Fuerza Nueva, já havia sido autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto, por isso, só dependia a confirmação do governo brasileiro.

García Juliá foi condenado na Espanha em 1980, por ter sido um dos autores do massacre em que foram assassinados à tiros três advogados trabalhistas, um estudante de direito e um funcionário administrativo, na capital espanhola, que tinha como alvo um líder do Partido Comunista do país europeu.

O espanhol cumpriu apenas 14 dos 193 anos de prisão a que foi sentenciado, embora haja limitação para a detenção por 30 anos. Em 1991, foi colocado em liberdade condicional, pouco antes de receber autorização para viajar para Assunção, no Paraguai, para trabalhar.

Com obrigação de se apresentar mensalmente à Embaixada da Espanha, García Juliá desapareceu e iniciou uma fuga pela América do Sul, com passagem pela Bolívia, onde chegou a ser preso por tráfico de drogas, e Brasil.

Em dezembro do ano passado, foi preso em São Paulo, onde trabalhava como motorista de aplicativo, enquanto se passava por cidadão venezuelano.