EFEParis

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, um dos favoritos na corrida eleitoral no Brasil em 2022, afirmou ser uma prioridade vencer o atual chefe de governo, Jair Bolsonaro que, segundo ele, aumentou a pobreza no país, que se tornou, além disso, "um pária internacional".

"Historicamente, a diplomacia brasileira sempre foi respeitada. Inclusive, na ditadura militar, as relações do Brasil com o resto do mundo eram modernas e civilizadas. Bolsonaro jogou tudo isso no lixo", disse o presidente de honra do Partido dos Trabalhadores (PT), em entrevista publicada nesta quinta-feira ao jornal francês "Libération".

Lula afirma que o atual presidente "só teve olhos para (Donald) Trump e criou inimizades com China, Rússia, Argentina, Bolívia, Chile. Com ele, o Brasil se tornou um pária internacional. Ninguém quer receber ele ou ser recebido por ele", garantiu o líder nas enquetes de intenção de voto para o pleito de 2022, segundo diferentes institutos de pesquisa.

O ex-presidente acusa Bolsonaro de "dar um tapa em todas as regras civilizadas, estabelecidas pela democracia" e "sabotar as missões de instituições criadas para proteger o meio ambiente e os indígenas".

"Sem contar a crise econômica e social, com 116 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar e 33 milhões de desempregados ou condenados ao subemprego", afirmou o petista.

Lula ainda defendeu que Bolsonaro responda diante de um tribunal internacional pela gestão da pandemia da covid-19, que voltou a classificar como um "genocídio, diante das mais de 600 mil vítimas do país.

"Muitas mortes poderiam ter sido evitadas", garantiu o ex-presidente.

Perto de completar 76 anos, Lula afirmou ter "energia de um homem de 30", ao admitir que é provável que dispute as eleições de 2022. Segundo ele, "um líder político não surge todos os dias", ao explicar a naturalidade de que se aponte seu nome como candidato.

Sobre a preservação da Amazônia, Lula disse se opor ao presidente da França, Emmanuel Macron, que defende um status internacional para a região, e afirma apostar em "convidar o mundo desenvolvido a investir na pesquisa científica, para aproveitar as propriedades da biodiversidade amazônica na indústria farmacêutica". EFE