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O Brasil vê a Espanha como um grande aliado nas infraestruturas que está projetando, especialmente por meio de parcerias público-privadas (PPP), e espera um investimento global de aproximadamente 350 bilhões de euros nos próximos 30 anos, de acordo com o secretário especial da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Santos de Vasconcelos.

Durante o seminário "Oportunidades de Investimento no Brasil" realizado na Casa América, em Madri, o secretário especial disse nesta terça-feira que, nos últimos 15 anos, os investimentos em infraestruturas foram "insuficientes", sempre menores que 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Até agora, o PPI - que busca alianças com empresas privadas para realizar essas iniciativas - alcançou 59,3% da carteira de projetos, com investimentos de 57,7 bilhões de euros em concessões de aeroportos, estradas, contratos de mineração e privatização de portos e empresas estatais.

Segundo Vasconcelos, dos 147 projetos realizados, 55 contam com empresas estrangeiras como ganhadoras das licitações ou em consórcios com companhias locais e somam investimentos de quase 60 bilhões de euros, dos quais 3,4 bilhões correspondem a empresas espanholas.

Entre as espanholas que atualmente investem em infraestruturas brasileiras estão a petroleira Repsol, a energética Neoenergia e a operadora aeroportuária Aena, que têm grande presença no Brasil.

Vasconcelos comentou que o Brasil enfrenta vários desafios relacionados com as consequências da crise econômica de 2014, que reduziu a capacidade de investimento do país em infraestruturas e nas conexões de transporte, resultando em uma progressiva perda de competitividade.

O presidente da Câmara de Comércio Brasil-Espanha, José Gasset Loring, destacou a relevância econômica de projetos de concessão à iniciativa privada e afirmou que nos próximos 30 anos serão destinados cerca de 350 bilhões de euros a infraestruturas, sendo os cinco primeiros os mais importantes para as concessões.

Por sua parte, a presidente da patronal de construtoras e concessionárias espanholas Seopan, Julián Núñez, ressaltou a liderança da Espanha em infraestruturas, atrás apenas da China.

O diretor do negócio de redes do grupo Iberdrola e presidente da Elektro Redes, Armando Martínez, mencionou a grande "importância" do Brasil para a empresa elétrica espanhola. O país representa entre 15% e 20% dos negócios da companhia e recebeu mais de 14 bilhões de euros de investimento nos últimos 20 anos.