EFEEduardo Davis. Brasília

O alto representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, concluiu nesta sexta-feira a visita oficial ao Brasil convicto de que o bloco comunitário e o restante do mundo precisam que o país esteja "comprometido com a luta contra a mudança climática".

Em Brasília, o político espanhol colocou encerrou sua primeira viagem pela América Latina desde que assumiu o comando da diplomacia da UE, em dezembro de 2019. Além do Brasil, Borrell também visitou o Peru, onde transmitiu "respeito" e "apoio" da União Europeia ao "processo de transformação" liderado pelo presidente do país, Pedro Castillo.

Hoje, o último compromisso na capital brasileira foi um encontro com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que aconteceu na mesma semana em que a casa aprovou um projeto que atualiza a legislação nacional aos termos do Acordo de Paris.

Borrell afirmou à Agência Efe que se tratam de "bons sinais", que se somam às novas metas ambientais anunciadas pelo Brasil nesta semana, durante a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26).

O alto representante da UE argumentou que as movimentações poderão ajudar a destravar o processo de ratificação do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, que foi anunciado em 2019, após duas décadas de negociações.

O avanço para a concretização do pacto é visto com reticência por alguns países e pelo próprio Parlamento Europeu, que duvidam da vontade do governo liderado por Jair Bolsonaro de cumprir as cláusulas de preservação ambiental que estão incluídas no texto.

"O Brasil é um parceiro imprescindível", e tanto a UE como "o mundo precisam que o país esteja comprometido com a luta contra a mudança climática", afirmou Borrell.

Segundo o chefe da diplomacia da UE, o problema central está nas elevadas taxas de desmatamento da Amazônia, algo que o Brasil prometeu, durante a COP26, acabar até 2028, assim como alcançar a neutralidade de carbono até 2050, entre outras metas.

"É um país com um papel enorme na energia renovável, tem emissões baixas para sua dimensão, mas as taxas de desmatamento são muito altas", destacou Borrell, que admitiu que os objetivos traçados na COP26 podem ser "um bom ponto de partida" para melhorar a imagem brasileira.

"Esse compromisso é muito positivo, mas agora é preciso consolidá-lo e confiar que não seja somente o primeiro passo nessa direção", complementou.

Borrell afirmou que esses temas foram abordados no rápido encontro que teve com Bolsonaro e em uma longa reunião de trabalho com o ministro das Relações Exteriores, Carlos França.

Assim como fez em Lima, o espanhol insistiu que a UE deve "trabalhar mais" com a América Latina, região marcada por fortes desigualdades, que podem ser agravadas devido ao impacto da pandemia da covid-19.

Borrell revelou que, na primeira viagem que realiza à região à frente da diplomacia da UE, optou por visitar Brasil e Peru devido às diferenças que existem entre os dois países.

"Um com uma orientação esquerdista, outro mais à direita. Um mais desenvolvido, outro em meio a uma transformação política muito importante", explicou.

Sobre os problemas poíticos que enfrenta ao governo peruano, que ontem conseguiu um voto de confiança do Congresso, Borrell garantiu que um dos objetivos da viagem que realizou foi dar apoio ao presidente Pedro Castillo.

Nos dois países, assim como no restante da América Latina, o espanhol afirmou que a UE oferece cooperação para o desenvolvimento social e econômico e que "está sempre pronta para dar a mão", inclusive, na crise migratória que acontece na Venezuela, que foi tema de reuniões durante a viagem. EFE