EFEBuenos Aires

Centenas de pessoas se concentraram nesta quinta-feira no centro de Buenos Aires, com flores e velas, para lembrar a vereadora Marielle Franco, assassinada há um ano no Rio de Janeiro.

Ao pé do histórico Obelisco e sob o lema "Florescer por Marielle", a ativista brasileira foi homenageada por iniciativa do coletivo feminista Ni una menos (Nem uma menos).

"Mulher negra, favelada, feminista, lésbica, defensora dos direitos humanos, Marielle personificava a união das lutas em defesa das populações mais vulneráveis", afirmou esse coletivo na convocação da homenagem.

Segundo os organizadores, enquanto ainda não há justiça pela covarde "execução" da vereadora, "Marielle se transformou em um símbolo internacional de resistência".

"Hoje estamos aqui para homenagear Marielle Franco um ano depois de seu assassinato e pedir justiça para os líderes sociais dos direitos humanos que são perseguidos e assassinados na América Latina, sistematicamente, todos os anos", declarou à Agência Efe Isabela Gaia, membro do Coletivo Passarinho, formado por brasileiros residentes em Buenos Aires em defesa da democracia.

Outra brasileira, Silvane Silva, de 32 anos e residente em Buenos Aires há sete, destacou que, após sua morte, Marielle se transformou em um símbolo da defesa das minorias no Brasil.

"Ela me representa como mulher, como negra, como militante feminista ativa, sou LGTBI e também sou representada por essa voz que hoje chegou e está muito mais forte que inclusive quando estava viva, embora seja injusto porque a nossa alegria seria que Marielle estivesse hoje conosco", lamentou.

Desde o assassinato da vereadora junto com Anderson Gomes, o motorista do veículo em que voltava para casa após ter participado de uma reunião com mulheres negras, ocorreram várias manifestações dentro e fora do Brasil reivindicando esclarecimentos sobre o crime.

"Nos unimos para algo comum que é lutar contra este tipo de governo de pessoas que não querem nos ver. Acredito que a sua vida é um exemplo de que temos que estar atentas para que sigamos lutando vivas", acrescentou Silvane.

Na última terça-feira, quase um ano após a tragédia que consternou o Brasil, duas pessoas foram detidas pelo crime: Ronnie Lessa, sargento reformado da Polícia Militar e suspeito de ser o autor dos disparos, e Élcio Vieira de Queiroz, ex-sargento da PM (foi expulso da corporação) e acusado de dirigir o automóvel de onde os tiros partiram.

De acordo com o Ministério Público, a vereadora teria sido assassinada pela sua atuação política e pelas causas que defendia. Outras hipóteses, no entanto, não estão descartadas. As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil do Rio de Janeiro tenta agora descobrir possíveis mandantes e outros envolvidos.