EFECidade do México

A ex-presidente Dilma Rousseff pediu nesta segunda-feira a construção de mais movimentos populares na América Latina para combater a desigualdade e o neoliberalismo, como os que, segundo ela, foram montados por Alberto Fernández na Aargentina, Luis Arce na Bolívia e Andrés Arauz no Equador.

"Estamos diante de uma imensa concentração de renda, e se não construirmos forças políticas, mobilizarmos a população e construirmos movimentos populares, não vamos combater ou reduzir sistematicamente essa desigualdade", declarou Dilma em um fórum virtual do partido Movimiento Ciudadano (MC), do México.

A ex-presidente denunciou uma combinação entre neoliberalismo e neofascismo no Brasil e acusou o atual chefe de Estado, Jair Bolsonaro, de "desmantelar todos os sistemas de proteção, militarizar o governo e defender os torturadores e golpistas".

Na visão da petista, o neoliberalismo tem causado governos despreparados para combater a pandemia da Covid-19, que, por causa das desigualdades, tem afetado mais "os pobres, trabalhadores, mulheres, negros e povos indígenas".

"As elites locais e internacionais tentam há algum tempo reverter o investimento em políticas sociais e impor a agenda neoliberal na América Latina", opinou.

Segundo a ex-presidente, foi o que aconteceu por trás do seu processo de impeachment em 2016, o qual mais uma vez chamou de "golpe".

"Não só aconteceu comigo no Brasil, mas também no Paraguai com o presidente (Fernando) Lugo em 2012, em Honduras com (Manuel) Zelaya em 2009 e na Bolívia com Evo Morales em 2019", destacou Dilma, que mencionou também os julgamentos por corrupção dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina) e Rafael Correa (Equador).

"Precisamos ser independentes e capazes de criar sociedades democráticas onde não haja espaço para golpes ou o surgimento de líderes neofascistas como Bolsonaro, que comprometem a economia de nossos países", disse.

Nesse sentido, ela celebrou a "luta democrática" na América Latina, liderada pelo "retorno do peronismo" na Argentina com a presidência de Alberto Fernández, o governo de Luis Arce na Bolívia e a vitória de Andrés Arauz no primeiro turno das eleições presidenciais do Equador, na semana passada. EFE

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