EFENayara Batschke. São Paulo

Após os lançamentos da temporada final de "Queen of the South" e dos filmes "The New Mutants" e "O Esquadrão Suicida", a atriz brasileira Alice Braga interpreta agora a ousada protagonista de "Eduardo e Mônica", longa-metragem delicado e "necessário" que celebra a tolerância e a diversidade.

O filme narra nas telonas o amor entre Eduardo, um jovem de 16 anos que está apenas começando a descobrir as belezas e a dureza do mundo, e Mônica, que é alguns anos mais velha e não pretende abdicar do espírito livre. Acima de tudo, porém, o filme é "uma história sobre generosidade, escuta e partilha".

"Penso que precisamos muito dele hoje em dia. Não só no Brasil, no mundo, mas especialmente no Brasil, que agora é governado por um governo que fala muito de ódio, que incita muito ódio e a não aceitação daqueles que são diferentes", disse Braga em entrevista à Agência Efe em São Paulo.

Inspirado na canção homônima de Renato Russo, o longa será lançado nas salas de cinema em 6 de janeiro, quase um ano depois do previsto devido à pandemia de covid-19. Para Braga, no entanto, o filme será lançado mesmo no momento "certo".

"Lançar um filme que fala de amor e aceitação é algo que realmente espero que possa trazer inspiração às pessoas e um pouco de alegria num momento tão difícil que estamos vivendo", analisou.

"Eduardo e Mônica" desmantela com sutileza os preconceitos do espectador e aborda questões importantes como o amor homoafetivo, a pluralidade de ideias e a celebração das diferenças.

Na opinião da atriz, o romance do casal mais famoso da música brasileira é um importante contraponto à "guerra" que está se formando no Brasil devido às investidas do presidente Jair Bolsonaro contra a cultura.

"O projeto de destruição em curso é muito difícil, estamos vivendo um momento muito delicado de sobrevivência, de muita luta e tristeza, mas de muita resistência. Não podemos parar de lutar", argumentou.

Aos 38 anos, com uma carreira consolidada e considerada a atriz brasileira de maior sucesso no exterior, Alice Braga se diz consciente que há "batalhas" por todos os lados, seja na luta pela cultura ou por uma maior representatividade no setor.

Dessa forma, a personagem de Mônica se junta à lista de mulheres fortes e poderosas - como a capo Teresa Mendoza de "Queen of the South", a médica Cecilia Reyes de "Os Novos Mutantes" e a líder revolucionária Sol Soria de "O Esquadrão Suicida" - que ganharam vida graças à atriz, papéis historicamente ocupados por homens.

Alice Braga também deu início à nova era dos latinos em filmes de super-heróis e, com "Queen of the South", foi uma das poucas latinas a estrelar uma produção em horário nobre nos Estados Unidos.

"Estou muito honrada por ter estrelado uma série americana e por ser uma latina na televisão americana em horário nobre, fui uma das poucas latinas a fazer isso à época", lembrou.

Embora acredite que a indústria cinematográfica tem feito progressos em termos de diversidade, ela frisa que o setor necessita uma "mudança plural e estrutural" para alcançar a igualdade em frente e atrás das câmeras.

"Precisamos de mais mulheres como protagonistas, mais representação étnica e de gênero, mas também precisamos mudar dentro das salas de roteiro e das salas dos chefes executivos", opinou.

Além de "Eduardo e Mônica", Braga terminou neste ano a quinta e última temporada de "Queen of the South" e lançou "Os Novos Mutantes" e "O Esquadrão Suicida", um desafio devido às barreiras da covid-19, mas cujo balanço considera "muito positivo".

A atriz também concluiu o filme "Hypnotic", dirigido por Robert Rodríguez e no qual contracena com Ben Affleck em um "thriller de suspense que tem um pouco da vibração de Hitchcock".

"Foi um ano louco. Gravar e lançar filmes sobre a pandemia foi muito diferente. Mas estou feliz por estar ligada ao público, ainda mais neste momento de tanta distância e desconexão", afirmou a atriz. EFE