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Condenado por atentado realizado em Madri, na Espanha, em 1977, Carlos García Juliá foi libertado pela justiça do país europeu, quase dois anos após a prisão, ocorrida em São Paulo, que foi seguido da extradição autorizada pelo governo do Brasil.

A ação criminosa foi realizada por grupo de extrema-direita contra um escritório de advogados trabalhistas, em meio ao processo espanhol de redemocratização. Juliá foi condenado a 193 anos de prisão, por cinco assassinatos e quatro tentativas de homicídio.

Hoje, ele deixou a prisão de Soto del Real, em Madri, ainda nas primeiras horas da manhã, de acordo com informações obtidas pela Agência Efe.

García Juliá estava no centro penitenciário desde fevereiro deste ano, quando foi extraditado com autorização do governo brasileiro. A prisão aconteceu em dezembro de 2018, após décadas na condição de foragido, inclusive, com um registro de detenção na Bolívia, por crime relacionado ao tráfico de drogas.

O ATENTADO.

Em 24 de janeiro de 1997, membros de grupos de extrema-direita, entre eles, García Juliá, foi um dos autores da chamada "matança de Atocha", em referência a localidade onde estava localizado o escritório dos advogados.

O crime, que gerou em uma forte reação entre os setores progressistas espanhóis, aconteceu em um dos dias chaves no processo de transição da ditadura para a democracia na Espanha, e ocorreu em meio a outros realizados pelo grupo terrorista basco ETA.

García Juliá foi condenado em 1980 e 11 anos depois obteve liberdade condicional. Passados outros dois anos, ele recebeu autorização para viajar ao Paraguai, devido uma oferta de trabalho, e nunca mais voltou para o país natal.

Apesar de ainda restarem mais de dez anos de pena a cumprir, o tribunal de Ciudad Real - o último a condenar o autor do massacre, mas por outro crime não relacionado a ele - aceitou em maio o pedido do advogado de defesa pela antecipação da liberdade, ao reconhecer o bom comportamento no período em que estava foragido.

A Fundação Advogados de Atocha, mantida por familiares das vítimas, tentou impedir a libertação de García Juliá e ainda aguarda um recurso feito junto ao Tribunal Constitucional da Espanha, que ainda não decidiu sobre a admissão.

A advogada Cristina Almeida, que representa a entidade, pediu que a justiça, pelo menos, adote as medidas necessárias para que García Juliá não volte a sair da Espanha. Além disso, não está descartado recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.