EFEFlorianópolis

Debater os desafios de empreender em um mundo hiperconectado e pensar novas formas de integração regional são os principais objetivos da 7ª edição do RD Summit, o maior encontro sobre estratégias digitais da América Latina e que foi aberto nesta segunda-feira, em Florianópolis.

A capital de Santa Catarina é o segundo polo tecnológico do país, com mais de 750 empreendedores a cada 100 mil habitantes, de acordo com dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Além disso, a tecnologia representa 5,6% da economia do estado de Santa Catarina, além de ser a principal fonte de arrecadação de impostos da prefeitura de Florianópolis, com cerca de 30% do total captado entre todos os setores.

Agora, a cidade receberá durante três dias mais de 12 mil pessoas no RD Summit, evento que combina palestras, workshops e lançamentos das últimas novidades do setor e é voltado principalmente às pequenas e médias empresas, categoria que representa de 95% a 98% do aparato econômico e produtivo da América Latina, segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

"São essas as organizacões empresariais que mais contribuem com a geração de empregos e que mais têm impacto indireto na economia da região", afirmou em entrevista à Agência Efe o vice-presidente de expansão internacional da Resultados Digitais, Helmut Cepeda.

Para Cepeda, se por um lado empresas e empreeendores do continente precisam superar as barreiras da constante instabilidade sociopolítica, por outro, momentos "mais desfavoráveis" exigem que as companhias implementem métodos mais eficientes de captação de clientes e de gestão publicitária.

Na mesma linha, o CEO e fundador da Resultados Digitais, Eric Santos, opinou que o futuro dos negócios está baseado na construção de uma experiência cada vez mais personalizada e única com os clientes.

"Muitas empresas estão surgindo justamente dessa necessidade de fazer as coisas com mais eficiência e achar novas formas de crescer, de engajar o público", disse.

O empresário português João Cortinhas, fundador da startup Swonkie, viajou de Lisboa a Florianópolis pelo segundo ano consecutivo para buscar novos parceiros comerciais e estreitar as relações entre o velho e novo continentes.

Cortinhas acredita que a América Latina conta com um "enorme potencial que precisa ser explorado", mas pondera que as "constantes crises políticas" e recorrente instabilidade econômica são fatores de risco que impedem um maior desenvolvimento regional.

"Países como Chile, México e Colômbia, sem falar do Brasil, são mercados com um grande potencial para estreitar as relações comerciais e, sem dúvidas, um evento como esse deixa evidente esse mercado altamente qualificado", afirmou.

Já a empresária Ana Barros, também portuguesa, vê o Brasil como "uma grande montanha-russa, com vários altos e baixos", mas que "respira negócios" e impulsiona toda a economia regional.

"A América do Sul conta com esse grande ecossistema tecnológico, principalmente de empreendedorismo e inovação. E Florianópolis é o grande polo que reúne os empreendedores de toda a região", declarou.

Porém, alguns empreendedores alertam que a falta de comunicação entre os países latino-americanos dificulta o processo de integração e, consequentemente, impede que o continente aumente sua competitividade em nível global.

"Os países da Europa pensam em estratégias para todo o mercado europeu. Aqui ainda não temos isso, pensamos na economia local. Mas nós temos que pensar em vender pra fora, precisamos ampliar essa visão da esfera local para a continental", enfatizou Miguel Pacheco, que se deslocou desde Córdoba, na Argentina, para participar do RD Summit.

"Lentamente, as empresas estão se dando conta que têm nos países ao lado parceiros com um grande potencial e estão começando a investir nessa integração", completou seu colega, Emanuel Olivier.

Durante três dias, o evento reunirá mais de 12 mil pessoas e contará com uma extensa programação, que inclui uma feira de negócios, oito espaços de discussão e mais de 150 palestras de renomados nomes de setores como tecnologia, marketing, televisão e cultura.