EFERoma

A Itália reivindicou neste domingo a extradição, o mais rápido possível, do italiano Cesare Battisti, condenado no país por quatro homicídios na década de 70 e detido na Bolívia após ter fugido do Brasil.

O presidente da República, Sergio Matteralla, comemorou a detenção do ex-militante de esquerda e pediu que seja "prontamente entregue para que cumpra pena pelos graves crimes" pelos quais deixou a Itália há quatro décadas.

O primeiro-ministro, Giuseppe Conte, afirmou que as famílias das quatro vítimas "poderão finalmente obter justiça".

O ministro das Relações Exteriores, Enzo Moavero Milanesi, explicou que a detenção foi realizada graças a "uma ação coordenada entre as autoridades da Bolívia e do Brasil" e disse que o trabalho continua para que "a extradição aconteça o mais rápido possível".

Já o ministro do Interior, Matteo Salvini, a quem o presidente Jair Bolsonaro dedicou a detenção, expressou seu desejo de que Battisti chegue à Itália nesta segunda-feira.

Em um ato em Milão, Salvini tachou Battisti de "assassino comunista" e "maldito criminoso", disse que ele "deverá apodrecer na prisão até o último de seus dias" e criticou a parte da esquerda que o defendeu no passado.

O italiano, de 64 anos, foi membro da grupo Proletários Armados pelo Comunismo, um braço das Brigadas Vermelhas, e foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios entre 1977 e 1979, que ele nega ter cometido.

No entanto, o militante fugiu e, após se refugiar na França e no México durante décadas, chegou ao Brasil em 2004, onde viveu escondido até sua detenção em 2007.

O Superior Tribunal Federal aceitou sua extradição em 2009 em uma decisão não-vinculativa, que deixou o destino de Battisti nas mãos do então chefe de Estado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a rejeitou em 31 de dezembro de 2010, o último dia de seu segundo mandato.

Em dezembro, o STF ordenou sua detenção com fins de extradição, uma decisão ratificada pelo então presidente Michel Temer e apoiada por seu sucessor, Jair Bolsonaro.

Por isso, desde 14 de dezembro Battisti estava foragido e finalmente foi detido na Bolívia, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, enquanto caminhava pela rua tranquilamente e com óculos escuros, segundo um vídeo divulgado pela polícia italiana.

No momento da detenção, Battisti não impôs resistência, respondeu em português e mostrou um documento de identidade brasileiro.