EFESão Paulo

A maioria das pequenas e médias empresas (PMEs) do Brasil - 65% - considera que desempenha suas atividades de forma sustentável, enquanto apenas 7% acredita que elas não são sustentáveis de nenhuma forma, revelou um estudo da empresa de logística UPS divulgado nesta segunda-feira.

A pesquisa, realizada pela companhia americana em parceria com a Nathan Associates e a ABComm, mostrou que 28% das PMEs se consideram "muito sustentáveis", 37% "um pouco sustentáveis" e 22% "não muito sustentáveis".

Aproximadamente um terço das 103 PMEs que participaram do estudo no Brasil relataram ter planos para tornar suas empresas mais sustentáveis, mas uma fração semelhante afirmou que não prevê implementar mudanças deste tipo nos próximos três anos.

O estudo também identificou que a maior área de crescimento potencial para práticas sustentáveis é o transporte, enquanto em 2022 a área em que mais são implementadas práticas ecologicamente corretas é a de embalagens utilizadas para o envio de produtos.

PANDEMIA E PRINCIPAIS DESAFIOS.

No Brasil existem cerca de 8,5 milhões de PMEs, que representam 99% de todas as empresas do país e que estão entre as mais afetadas pela pandemia de covid-19.

Conduzida com o objetivo de compreender melhor o setor e os impactos da covid-19, a pesquisa constatou que desde 2020 ocorreram mudanças profundas, incluindo uma aceleração das atividades de e-commerce, que cresceu 31% no país durante o primeiro semestre de 2021.

Nesse sentido, os quatro maiores desafios relacionados com a pandemia enfrentados pelas PMEs em 2021 e 2022 são a dificuldade em atrair clientes (81%), a diminuição do fluxo de caixa (75%), a ruptura da cadeia de abastecimento (66%) e o aumento da necessidade de oferecer novos produtos e/ou serviços (66%).

Segundo o estudo, esses dados mostram que as PMEs foram capazes de gerir de forma eficiente os aspectos operacionais de seu funcionamento durante a pandemia, e que foram as mais impactadas por fatores externos.

PMES APOSTAM EM E-COMMERCE E NO MERCADO LOCAL PARA CRESCER.

A pesquisa revelou também que a expansão das vendas online direcionadas ao mercado nacional nos próximos dois anos é a principal estratégia de crescimento para 75% das PMEs brasileiras desde o início da pandemia.

Antes do novo coronavírus, 71% das PMEs utilizavam a internet para efetuar vendas, número que em dois anos saltou para 87%.

No entanto, apesar de que 20% das empresas entrevistadas no Brasil fecharam suas lojas físicas desde 2020, a expansão deste tipo de vendas é a principal estratégia de crescimento para 11% das PMEs, e a segunda para 58% delas.

Ao mesmo tempo, as vendas offline e online para o exterior foram mencionadas como prioritárias apenas por 14% das PMEs, já que a exportação é um dos principais desafios do setor no Brasil.

De acordo com os dados, a proteção dos direitos de propriedade intelectual e a facilitação da logística de transportes e de comércio foram as principais dificuldades para exportar relatadas pelas PMEs.

Além disso, quase 83% das que já exportam classificaram a atividade como muito ou bastante difícil, o que “indica que esta é uma área chave para o desenvolvimento de políticas governamentais”.

Por fim, a pesquisa também mostrou que o Brasil “investiu muito” para ajudar as PMEs migrarem seus negócios e vendas para o mundo digital, possibilitando um melhor acesso aos mercados de e-commerce, incluindo, ainda, as atividades de exportação.

Por isso, entre outros motivos o país atualmente está classificado como o 34º melhor lugar no mundo para o desenvolvimento do comércio eletrônico entre companhias do setor. EFE