EFEEstrasburgo (França)

A vereadora Marielle Franco, assassinada em março do ano passado no Rio de Janeiro, e que tinha como bandeira a luta a favor dos direitos humanos, foi indicada nesta quinta-feira pelo Parlamento Europeu ao prêmio Sakharov para a liberdade de consciência.

Os grupos majoritários do Parlamento anunciaram hoje seus candidatos para o prêmio, concedido desde 1988 pela Eurocâmara em reconhecimento da luta pelos direitos humanos no mundo.

A indicação póstuma de Marielle Franco também foi compartilhada pelos grupos dos Verdes, que a propôs para o Sakharov ao lado do ex-deputado federal Jean Wyllys.

Também filiado ao Psol, mesmo partido da vereadora carioca, Jean - que era um dos principais porta-vozes do movimento LGBT no Congresso -, decidiu renunciar ao seu mandato, para qual foi reeleito em outubro do ano passado, e deixou o país ao revelar que estava recebendo ameaças de morte.

Outros dois brasileiros também foram indicados ao prêmio: o líder indígena Raoni Metuktire, e a ativista do meio ambiente, Claudelice Silva dos Santos.

"Eles representam a voz dos direitos humanos e da proteção ambiental", afirmou o grupo social-democrata, cuja vice-presidente de Relações Exteriores, a holandesa Kati Piri, disse que a luta dos ativistas brasileiros "merece ser destacada".

"Embora os povos indígenas representem menos de 1% da população indígena, um número desproporcional deles está sendo morto em conflitos pelo território", afirmou Piri, criticando o "clima de terror", que em sua opinião, o presidente Jair Bolsonaro estabeleceu desde que chegou ao poder.

Outros indicados foram o blogueiro e opositor russo Alexei Navalny, conhecido por denunciar a corrupção nas mais altas esferas do poder russo e muito crítico do presidente Vladimir Putin. E o chinês da minoria uigur, Ilham Tohti, professor universitário condenado à prisão perpétua em seu país, em 2014, por separatismo.

As comissões de Comércio e Desenvolvimento da Eurocâmara votarão em conjunto nos três finalistas e, em seguida, os líderes dos grupos políticos escolherão o vencedor do prêmio, que recebe 50 mil euros (cerca de R$ 225 mil).

A cerimônia de entrega acontecerá durante a sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no mês de dezembro.

O prêmio Sakharov já foi concedido a Nelson Mandela (1988), Mães da Praça de Maio (1992), Malala Yousafzai (2013), entre outros.