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O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou nesta quarta-feira, na Espanha, que a proteção do meio ambiente já é uma prática nos projetos de portos, aeroportos, estradas e ferrovias executados no Brasil.

"É muito fácil adotar o discurso politicamente correto, ter só uma boa retórica e não ser efetivo em termos de ação. O que mostramos é que somos efetivos. (O meio ambiente) é, de fato, um foco, uma preocupação", disse o ministro em entrevista à Agência Efe.

Tarcísio está na Espanha desde segunda-feira. A viagem faz parte de uma série de compromissos do ministro no exterior para apresentar um plano de concessões elaborado pelo governo federal. Os projetos já foram mostrados a investidores dos Estados Unidos, e estão previstas na agenda visitas ao Oriente Médio e à China.

Vender a imagem do Brasil como um país sustentável foi um dos objetivos do Tarcísio em Madri, onde o ministro se reuniu com empresas espanholas e de outros países da Europa que atuam no setor de infraestrutura.

Embora a reputação ambiental do Brasil esteja em baixa internacionalmente após o recente crescimento dos incêndios na Amazônia, o ministro disse acreditar que isso não terá impacto na disposição dos investidores em apostar no país no longo prazo.

"O que buscamos mostrar aos investidores são gestos concretos. É possível harmonizar a provisão de infraestrutura e a preservação do meio ambiente. Sabemos como fazer isso", afirmou.

Tarcísio também descartou a hipótese de investidores preocupados com o meio ambiente se afastarem do Brasil após as declarações feitas ontem pelo presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que os estrangeiros estão interessados nos minérios da Amazônia, não nos indígenas nem nas árvores.

"O investidor é pragmático e pensa a longo prazo. Considera risco e retorno", argumentou.

O ministro reiterou o cálculo do governo federal de conseguir atrair US$ 53 bilhões em investimentos em infraestrutura até 2022. E prometeu que todos os projetos elaborados dentro do plano serão licitados dentro dos quatro anos de mandato de Bolsonaro.

Apesar da estratégia clara de oferecer ativos à iniciativa privada, o ministro defendeu a continuidade e a melhoria dos investimentos públicos, vistos por ele como um mecanismo importante para a recuperação do crescimento econômico do Brasil.

"A iniciativa privada não será responsável por tudo. Vamos conseguir aumentar o total de investimento (público) já no próximo ano. Devemos ter um 2020 melhor que 2019", projetou.

O ministro também negou o rumor de uma possível integração entre os ministérios da Infraestrutura e de Desenvolvimento Regional, medida que faria parte de uma reforma administrativa que está sendo discutida por Bolsonaro.

"Isso não tem nenhum sentido. Se tivermos um ministério extremamente grande, você começa a perder a capacidade de governar", explicou Tarcísio.