EFEAssunção

Novo embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Ángel Delgadillo tomou posse nesta segunda-feira com o desafio de coordenar dois grandes acordos pendentes com o governo de Jair Bolsonaro e afastar a crise aberta com o escândalo sobre as negociações entre os dois países sobre a usina de Itaipu.

"Como os senhores sabem, é uma das embaixadas mais importantes que o Paraguai tem atualmente. Vamos ter o grande desafio de levar adiante o plano que expus no Congresso", afirmou o diplomata durante entrevista no Palácio de Governo.

A principal missão de Delgadillo é a renegociação do anexo C do Tratado de Itaipu, que vence em 2023, e constitui as condições da exploração da usina compartilhada entre os dois países. Pelo acordo, o Paraguai tem direito a metade da energia gerada, mas é obrigado a vender o excedente ao Brasil a preço de custo.

O novo embaixador destacou os avanços da comissão interinstitucional formada por mais de 20 especialistas para assessor o governo do Paraguai na negociação.

Outros dos pontos que Delgadillo terá que discutir com o Itamaraty é a negociação de um regime para taxar as exportações de autopeças produzidas pela indústria automotiva paraguaio. Os dois países agora negociam um acordo bilateral para resolver a questão.

"As negociações do acordo automotiva estão bastante avançadas", afirmou Delgadillo.

Delgadillo também esclareceu que recebeu indicações do presidente do país, Mario Abdo Benítez, para aprofundar os laços de integração física entre os países.

Como o exemplo, o diplomata citou o início das obras para a construção de uma nova ponte sobre o rio Paraná, que ligará as cidades de Foz do Iguaçu com Presidente Franco.

O embaixador apresentará suas cartas credenciais ao governo brasileiro na quarta-feira.

Delgadillo substituirá no cargo Hugo Saguier, um dos cinco integrantes da gestão de Abdo Benítez que entregaram os cargos após o escândalo para a contratação de potência da energia de Itaipu.

A oposição classificou o acordo como traição e tentou abrir um impeachment contra Benítez, mas o presidente conseguiu abafar o movimento na Câmara dos Deputados.