EFEGenebra (Suíça)

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos exigiu nesta terça-feira a apuração dos fatos ocorridos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde oito corpos foram encontrados após operação da Polícia Militar.

"Pedimos ao Ministério Público que realize uma investigação independente e imparcial sobre as mortes, dentro dos padrões internacionais, e que seja garantido que os responsáveis destes atos prestem contas à justiça", afirmou a porta-voz do gabinete, Marta Hurtado.

A representante do Escritório liderado pela chilena Michelle Bachelet ainda destacou a preocupação pela violação da liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu as operações policiais no Rio de Janeiro a casos "absolutamente excepcionais", acompanhados pelo MP, enquanto durasse a pandemia da covid-19.

Hurtado ainda afirmou que o uso da violência deveria ser empregado como último recurso, apenas em casos de perigo de morte ou de lesões graves, e que sempre devem ser respeitados os princípios da legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade.

"Do nosso escritório, reiteramos a proposta de abrir um diálogo para discutir o modelo atual de nossa política nas favelas", disse a porta-voz.

Ontem, pelo menos oito corpos, com marcas de bala e sinais de tortura, foram encontrados em um manguezal nas proximidades do Complexo do Salgueiro, durante operação do Bope realizada dois dias após a morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, do Batalhão de São Gonçalo da PM, em confronto com traficantes da região. EFE