EFESão Paulo

A rede francesa de hotéis Accor conseguiu se recuperar na América do Sul no ano passado e agora vê um grande potencial de investimento no Brasil, segundo afirmou em entrevista à Agência Efe o diretor executivo da empresa na região, Patrick Mendes.

De acordo com Mendes, a Accor mantém sua aposta no país, apesar do possível enfraquecimento da economia - o PIB fechou no negativo durante o primeiro trimestre do ano, segundo as primeiras projeções - e confia no setor de luxo para manter a tendência positiva.

Mendes considera que o setor de turismo e hotelaria ainda tem espaço para se desenvolver e que isso melhorou depois da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, especialmente no que se refere a infraestrutura e promoção.

"Vemos o Brasil com um potencial enorme. Para mim, o país está na infância do turismo e da hotelaria", disse.

O executivo, no entanto, lembrou que a insegurança que o país vive, apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, e a falta de oferta de voos, entre outros aspectos, representam um freio para o crescimento da indústria do turismo brasileiro.

"É fundamental resolver o problema da segurança ou não se atrai turista estrangeiro. A malha aérea também tem que ser melhorada em infraestrutura e preço, e também a promoção para comunicar que o Brasil é seguro, tem belezas naturais, tem aeroportos incríveis, tem pessoas que nos recebem bem", ponderou.

Apesar de algumas dificuldades econômicas na região, Mendes destacou que a rede hoteleira está em um bom momento e aproveitou os últimos quatro anos para assumir uma posição de liderança muito forte.

De acordo com o executivo, o Brasil representa atualmente 70% dos negócios da Accor na América do Sul, região onde possui 14 marcas tanto do segmento econômico quanto no de luxo.

"A indústria hoteleira tem um potencial enorme de crescimento na América do Sul, e no Brasil ainda mais. Temos, por exemplo, uma escassez de hotéis de qualidade em várias cidades, em vários pontos atrativos do país, que possuem um potencial muito forte. Essa indústria traz trabalhos, arrecada impostos e está sendo considerada a indústria do futuro", frisou.

Para Mendes, o país oferece grandes atrativos, como as belezas naturais, o patrimônio histórico, a hospitalidade e uma crescente infraestrutura, mas estes elementos precisam ser melhor promovidos.

"O Chile tem seis milhões de turistas estrangeiros, o mesmo número que o Brasil, e realiza um trabalho de promoção e comunicação constantes. Por isso é necessário ter verba para comunicar (o turismo)", acrescentou.

O diretor executivo se mostrou otimista com a atual agenda do Ministério do Turismo e ressaltou a necessidade de promover o país internacionalmente, especialmente na China, que representa 10% dos viajantes no mundo atualmente.

"O setor privado fez o seu trabalho e agora a gestão pública tem que agir", enfatizou.

Por Isadora Camargo