EFECannes (França)

Grande destaque em Cannes neste domingo, Terrence Malick apresentou ao festival o seu novo filme, "A Hidden Life", uma comovente história que recebeu o aplauso unânime da crítica e que coloca o diretor na posição de grande favorito para a Palma de Ouro.

Malick tenta conquistar o prêmio pela segunda vez na carreira. A primeira foi em 2011, com "A Árvore da Vida", e tudo indica que as chances de repetir o feito são altas, embora o evento ainda não tenha exibido os filmes de Quentin Tarantino e dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, que podem chegar com força.

"A Hidden Life" apresenta um nível de cinema dificilmente alcançável. Tanto pela beleza como pela perfeita narrativa, a emoção que transborda a cada plano e os milhares de detalhes quase imperceptíveis, mas que são essenciais para que a experiência seja perfeita.

O que Malick conta em "Hidden Life" é a história do austríaco Franz Jägerstätter e a de sua esposa, Franziska. August Diehl e Valerie Pachner interpretam com bastante sensibilidade dois personagens reais.

August foi um camponês que, em 1943, acabou sendo recrutado à força pelo exército nazista. Ele se negou a lutar e a jurar fidelidade a Hitler e ao Terceiro Reich, motivo pelo qual foi preso, condenado e guilhotinado.

Embora não tenha sido ajudado pela Igreja Católica na época, foi beatificado em 2007 e se tornou um símbolo na Áustria pela resistência pacífica ao regime nazista.

Tudo isso é refletido com delicadeza por Malick, que aproveita ao máximo as paisagens alpinas e busca a beleza na dura vida camponesa dos Jägerstätter.

A história também serve como crítica ao atual crescimento dos partidos de extrema-direita, um filme que mostra a transformação de vizinhos e amigos em inimigos por diferenças ideológicas.

"A Hidden Life" estreou neste domingo em Cannes, mas será apresentado oficialmente na segunda-feira em entrevista coletiva na qual, como é habitual, Malick não estará presente.