EFEPlaya del Carmen (México)

O Javier Fesser evitou se colocar limites ao abordar a realidade dos incapacitados intelectuais em seu filme "Campeones" e optou pelo humor como melhor maneira para retratá-los, disse neste sábado diretor espanhol à Agência Efe.

"Não pensei em fazer um retrato das pessoas com incapacidade intelectual sem humor, porque é um dos pilares na sua forma de se expressar", disse Fesser, indicado junto com seu filme ao Prêmio Platino do cinema ibero-americano, que será entregue neste domingo na Riviera Maya, no México.

Em entrevista antes da cerimônia, Fesser (Madri, 1964) contou que tratar sobre o tema das incapacidades em seu filme não foi um assunto "delicado", já que "quando você faz um retrato do ponto de vista da admiração não existe nada delicado nem linhas a serem ultrapassadas".

A primeira coisa que é preciso fazer quando se dá vida a um personagem é "entendê-lo" e este é o processo seguido por Fesser com "Campeones", comédia vencedora do Goya - o Oscar do cinema espanhol - de melhor filme, que fala sobre a história de um técnico de basquete que assume uma equipe de pessoas com incapacidades intelectuais.

"São pessoas que usam ironia e mau humor de forma engraçada e com sinceridade", disse o diretor, o que o levou a produzir uma comédia sobre este assunto.

No entanto, Fesser avisa: "Não é uma comédia baseada em brincadeiras e coisas engraçadas locais, mas é um olhar positivo e novo das pessoas com incapacidade intelectual".

O diretor opinou que "Campeones" tem "uma linguagem universal", o que lhe permitiu viajar além das fronteiras da Espanha e ser agora indicado ao Platino de melhor filme, diretor, ator, roteiro e educação em valores.

Com este filme, Fesser rompeu com a perspectiva que tradicionalmente tem o cinema, que refletia o "olhar muito superficial" que a sociedade tinha em relação a estas pessoas.

"Muitas vezes por desconhecimento ou medo, não se sabe interagir com alguém cuja resposta você não vai poder controlar e isto faz com que você fique na superfície", relatou o cineasta.

Por isso, ele se opõe ao uso do conceito de incapacidade como um "rótulo" para aquele considerado diferente.

"É evidente que todos temos alguma incapacidade", explicou Fesser, considerando que "as incapacidades são tão relativas que não podem ser generalizadas".

Fesser é um diretor polifacético, autor de filmes que vão desde "Mortadelo e Salaminho: Missão Inacreditável" até "Campeones", por isso quando se pede a ele que defina seu estilo de cinema responde: "Não tenho nem ideia".

"Todos os filmes têm algo em onde se pode ver a minha forma de contar histórias, mas o certo é que cada filme é de um ponto diferente porque você não pode contar cada história de forma igual", declarou.

Fesser vai concorrer neste domingo pelo Platino de melhor diretor com o mexicano Alfonso Cuarón ("Roma"), Álvaro Brechner ("La Noche de 12 Años") e Cristina Gallego e Ciro Guerra ("Pájaros de Verano").

O Prêmio Platino é organizado pela Entidade de Gestão de Direitos dos Produtores Audiovisuais da Espanha (Egeda) e pela Federação Ibero-americana de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais (Fipca), com o intuito de promover o cinema ibero-americano.