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Em uma época em que a bola ainda não pode rolar em vários países por causa da pandemia da Covid-19, recordações estão dominando os espaços do futebol, e a mais recente no Uruguai foi a cavadinha de Sebastián Abreu durante a disputa de pênalti entre a 'Celeste' e Gana, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

A bicampeã mundial não faturou o título na ocasião, parando nas semifinais contra a Holanda, mas a penalidade cobrada por Loco Abreu contra a seleção africana entrou para a história do ídolo do Botafogo e hoje jogador e técnico do Boston River, da primeira divisão de seu país.

Em um bate-papo transmitido ao vivo através do perfil da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), o atacante recordou grandes momentos da carreira e enalteceu a participação da 'Celeste' no Mundial de 2010, em que obteve a melhor campanha desde 1970.

"Chegamos à Copa do Mundo com confiança, mas com incerteza. Fomos os últimos a nos classificar, entramos pela porta dos fundos, não havíamos gerado nenhuma consistência, então chegamos com a primeira preocupação sendo competir, estar no nível do futebol, depois assistir", lembrou o camisa 13.

O Uruguai estreou na Copa empatando com a França em 0 a 0, mas depois venceu África do Sul e México e se classificou em primeiro lugar no grupo A. Depois, passou por Coreia do Sul e Gana até parar na Holanda e depois perder também para a Alemanha, na disputa pelo terceiro lugar.

"Havia uma energia muito boa porque percebemos que o Uruguai estava passando, ganhando, consolidando uma forma. Não era uma meta na hora e no sofrimento. Foi criando expectativa na população, na família e em nós", declarou.

Apesar das expectativas criadas e da alegria geral, o atacante e técnico também enfatizou a concentração que aquele grupo tinha com jogadores do porte de Diego Godin, Diego Forlán, Luis Suárez e Edinson Cavani.

O jogo pelas quartas de final contra Gana, em 2 de julho, foi emocionante. Igualdade nos 90 minutos, e a equipe africana teve uma penalidade para cobrar no último instante da prorrogação, quando Suárez evitou um gol com a mão e foi expulso. Entretanto, Asamoah Gian chutou na trave.

Toda essa atmosfera, que parecia um roteiro de cinema, foi o ideal para Abreu perceber que era seu momento de brilhar e fazer história na disputa de pênaltis com "a especialidade da casa". Como havia feito dois meses antes, contra o Flamengo, em jogo que garantiu o título do Campeonato Carioca ao Botafogo.

"Não havia dúvida porque havia muitos fatos nos dias anteriores que me marcaram que era o momento que tinha sido imaginado. Na disputa de pênaltis, tudo encaixou para que eu fizesse a cobrança decisiva, porque havia três chutes errados - dois de Gana e um do Uruguai. Quando tudo isso aconteceu eu disse: é isso, está na hora. Foi quando me dei conta de que fazer aquilo era a coisa certa a fazer para marcar um gol", comentou.

Com a vitória, Loco Abreu, que no Brasil defendeu também Grêmio, Figueirense, Bangu e Rio Branco-ES, entrou para a história das Copas. Ele mesmo salientou que a sua vida mudou, apesar da já longa carreira, pois toda vez que um pênalti é chutado desta forma ele é lembrado, e sua cobrança estará para sempre nos melhores momentos dos Mundiais.

Além dessa partida, o atacante também lembrou a comemoração dos uruguaios quando voltaram ao país. Milhares de pessoas na Praça Independência cantando, agradecendo e reconhecendo o esforço de seus jogadores apesar de não terem obtido a taça.

"Nunca mais poderei experimentar algo assim de forma tão efusiva e emocional, transmitindo sinceramente o amor e o carinho", finalizou.