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A África continua sendo uma das regioes menos afetados pela Covid-19, mas o coronavírus é inabalável e se espalha rapidamente pelo continente, que já tem mais de 5 mil casos e 170 mortes.

Desde o dia 14 de fevereiro, quando o primeiro contágio foi declarado no continente (um cidadão chinês no Egito), a África registrou 5.160 infecções e 171 mortes até ontem, de acordo com a contagem da Agência Efe, a partir de dados dos comunicados do governo e de dados da Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos.

O último país a entrar na lista foi a Serra Leoa, hoje, cujo presidente Julius Maada Bio confirmou o primeiro caso, correspondente a um homem de 37 anos que viajou da França no dia 16 e estava em quarentena.

No momento, apenas seis países africanos - dos 54 do continente - ainda não anunciam infecções pelo novo coronavírus: Burundi, Comores, Lesoto, Malawi, São Tomé e Príncipe e Sudão do Sul.

Dada a vulnerabilidade de seus sistemas de saúde, muitos países evitaram esperar que a situação se descontrolasse, como aconteceu na Europa, e avançaram com a implementação de medidas duras para conter a propagação da doença.

A África do Sul e Ruanda decretaram o confinamento total da população, enquanto a Nigéria e a República Democrática do Congo (RDC) ordenaram o fechamento de grandes cidades que, devido à sua elevada população, representam um risco maior.

No entanto, o Comitê da Cruz Vermelha Internacional (CICV) alertou hoje que "a ameaça invisível da Covid-19" também paira sobre zonas de conflito na África, onde "guerras e combates, como na região do Lago Chade (abalada pelo grupo jihadista nigeriano Boko Haram), continuam ininterruptos".

"Até agora, a África tem sido o continente menos afetado pela pandemia, mas se não forem tomadas medidas para conter o vírus imediatamente, poderá ser devastador para as pessoas e os sistemas de saúde na África", disse Patrick Youssef, diretor regional da CICV para a África.

A crise da saúde está abrindo caminho para uma depressão econômica, portanto, governantes africanos, como o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019, pediram que instituições multilaterais ajudem a África.

Nesse sentido, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) lançou um vínculo social no valor de US$ 3 bilhões para ajudar as economias africanas a combater os efeitos da Covid-19.