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As crianças nos países pobres perderam dois terços mais de dias escolares para a pandemia do que os alunos nas partes ricas do mundo, de acordo com um relatório publicado na última quarta-feira pela ONG Save the Children.

Diante dessa lacuna educacional, a instituição de caridade para crianças pediu para os líderes dos países do G7, que se reúnem neste fim de semana na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, priorizarem o investimento em educação para garantir que os alunos de todo o mundo possam voltar às escolas com segurança.

Segundo o relatório, as meninas nos países em desenvolvimento sofreram o impacto da crise do coronavírus, com 22% menos horas de escolaridade, em média, do que os meninos. Isso é corroborado por dados de países como a Guiné, onde a crise sanitária derrubou 15% dos dias de escola dos alunos, um número que sobe para 39% para as garotas.

O mesmo aconteceu em países como Burkina Fasso e Afeganistão e, em menor grau, em economias mais ricas, embora a diferença de gênero no tempo de escolaridade perdido tenha sido limitada a 3%.

A Save the Children adverte que a distância entre nações ricas e pobres poderia ser ainda maior do que aquela refletida no relatório, uma vez que a análise não inclui a possibilidade de acesso à educação à distância.

A organização adverte que os países onde os estudantes perderam mais horas escolares são também aqueles com menor proporção da população imunizada, e convoca os líderes do G7, as sete economias mais desenvolvidas, a colocarem a educação das crianças no centro do debate.

"Os países ricos devem urgentemente financiar e compartilhar vacinas e fazer todo o possível para garantir acesso equitativo aos países mais pobres", destacou a diretora-executiva da Save the Children, Inger Ashing, em comunicado.

A organização também pede aos líderes para trabalharem na preparação para um retorno seguro à escola após a pandemia, aumentando as medidas de segurança nas salas de aula.