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A Rússia anunciou nesta sexta-feira que está se retirando do Tratado Céus Abertos, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce), um pacto multilateral que busca a transparência no controle de armas e do qual os Estados Unidos saíram oficialmente em novembro do ano passado.

"Devido à falta de progresso na remoção dos obstáculos à preservação do tratado nas novas condições, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia (...) anuncia o início dos procedimentos internos para a retirada da Federação Russa do Tratado Céus Abertos", disse o comunicado da pasta chefiada por Sergey Lavrov.

O acordo, em vigor desde 2002, permite que mais de 30 países sobrevoem qualquer parte do território dos outros participantes e tirem fotografias do ar - de Vancouver a Vladivostok - a fim de garantir que seus vizinhos ou rivais não estejam preparando ataques militares.

A diplomacia russa explicou que a saída dos EUA "sob um pretexto artificial" - acusando a Rússia de tê-la violado - afetou o equilíbrio de interesses dos demais países membros, prejudicando gravemente seu funcionamento e minando o papel do acordo como instrumento para fortalecer a confiança e a segurança".

Moscou tentou salvar o acordo em várias reuniões em Viena com os outros parceiros e propôs medidas específicas para permanecer dentro do tratado e manter sua viabilidade, com a condição de que os demais membros o cumpram estritamente.

No dia 24 de novembro, Lavrov explicou que, especificamente, a Rússia queria "ter certeza de que os dados coletados durante os voos de observação sobre os territórios dos Estados-Membros sejam mantidos apenas por aqueles que estão comprometidos com o acordo" e não serão transmitidos aos EUA.

Além disso, também disse que Moscou gostaria de confirmar essas obrigações com os demais países signatários do tratado.

"Tendo em conta que os nossos colegas ocidentais nem sempre agem como cavalheiros, gostaríamos, antes de decidir o que fazer com este tratado, mais uma vez confirmar juridicamente as obrigações dos partidos que permanecem membros", frisou.

A Chancelaria admitiu hoje que não recebeu as garantias por escrito de seus parceiros.

O argumento do presidente Donald Trump para a saída dos EUA do Tratado foi que a Rússia o impedia de monitorar seus exercícios militares do ar e não permitia voos sobre regiões onde se acredita que Moscou tenha armas nucleares que pudessem atingir a Europa, especificamente em Kaliningrado, nem perto das regiões separatistas georgianas da Abecásia e da Ossétia do Sul.

A Rússia sempre negou ter violado o tratado e acusou os Estados Unidos de não cumprirem o acordo.