EFEEnrique Rubio. Falmouth (R.Unido)

A partir desta sexta-feira, a cúpula do G7 reunirá velhos conhecidos que, em vários casos, se sentarão pela primeira vez na "mesa dos mais velhos", uma vez que metade dos dirigentes do grupo estreará à frente de suas delegações, embora todos tenham larga experiência na segunda linha.

Se na última vez que os líderes se encontraram pessoalmente - na França em 2019 - novos rostos dominavam a foto de família, desta vez a marca é a volta de rostos que há muito tempo estiveram nos bastidores do poder.

Paradigma dessa mudança de guarda é o novo inquilino da Casa Branca, Joe Biden, que substitui o disruptivo Donald Trump, que havia saído do mundo dos negócios para se tornar presidente dos Estados Unidos.

Diante da cambalhota de dupla pirueta e sem rede protagonizada por Trump, a trajetória de Biden é a oposta: senador desde 1973, quando tinha apenas 30 anos, o agora presidente ocupou toda uma gama de cargos em Washington, que desembocou na vice-presidência durante o mandato de Barack Obama (2008-2016).

Biden cresceu entre cúpulas, são seu habitat natural e seu compromisso determinado com o multilateralismo faz dele o eixo deste fórum que continua em busca de uma nova identidade.

DO NOVATO CONTE AO EXPERIENTE DRAGHI.

Algo semelhante ao caso americano acontece com a Itália, parte de um grupo que é completado por Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Japão e União Europeia (UE).

O então desconhecido Giuseppe Conte, um jurista avesso à política indicado como primeiro-ministro pelo Movimento 5 Estrelas, foi o representante do país em Biarritz (França) há dois anos.

Apesar de bons níveis de aceitação pública de Conte, a política italiana fez jus à sua reputação de convulsiva e implacável, e o destituiu da chefia de governo em janeiro deste ano.

Seu sucessor? Outro velho conhecido, o economista Mario Draghi, que no comando do Banco Central Europeu, de 2011 a 2019, resistiu à crise financeira e em diversas ocasiões condicionou as políticas macroeconômicas dos países da UE.

A expectativa é que Draghi, um rosto comum nesses tipos de reuniões, apesar de vir das finanças e não da política, encontre seu lugar em uma cúpula que terá amplo espaço para a economia e a recuperação pós-pandemia.

NOVAS CADEIRAS PARA SUGA E VON DER LEYEN.

Também estreante no G7 é o japonês Yoshihide Suga, mas apenas como um rosto visível da sua delegação, visto que foi a sombra eterna do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe ao longo do seu último mandato (2012-2020).

Em seu cargo de secretário-chefe do gabinete, o semblante sério de Suga marcava presença tanto nos lares japoneses, uma vez que atuava como porta-voz do governo, como em eventos internacionais, já que também acompanhava Abe em fóruns multilaterais, como este G7 no qual lidera a delegação japonesa pela primeira vez.

Já à frente da Comissão Europeia aparecerá outra figura regular das cúpulas, mas quase sempre atrás de sua então chefe: a alemã Ursula von der Leyen.

A presidente do Executivo Comunitário é dona de uma longa carreira nos governos conservadores da chanceler alemã, Angela Merkel, que a convidou logo quando assumiu o poder, em 2005, para ser ministra da Família.

Desde então, sempre houve um lugar reservado para Von der Leyen nos gabinetes de Merkel: Família, Trabalho e finalmente Defesa, onde, de 2013 a 2019, realizou sua maior atividade internacional.

Nomeada em dezembro de 2019 como presidente da Comissão, ela ocupará na Cornualha a cadeira que pertencia a Jean-Claude Juncker na cúpula anterior, mas que ele nem mesmo ocupava em Biarritz, uma vez que tinha acabado de passar por uma operação.

Na presidência do Conselho Europeu também houve uma mudança: o polonês Donald Tusk é substituído pelo belga Charles Michel, que, este sim, já chefiava as missões de seu país quando era primeiro-ministro (2014-2019).

Em Carbis Bay, todos esses estreantes dividirão mesa com o britânico Boris Johnson, o francês Emmanuel Macron, o canadense Justin Trudeau e a alemã Angela Merkel, que já são assíduos nestes eventos e que certamente celebrarão a recuperação de alguns nomes da velha escola para evitar sustos.