EFESão Paulo

O investimento em capacitação para o desenvolvimento de habilidades digitais pode contribuir para frear a crescente desigualdade social na América Latina, segundo disse nesta quinta-feira o representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Morgan Doyle.

"Observamos um aumento da pobreza em geral (durante a pandemia), é um fenômeno em toda a região", ressaltou Doyle durante o VI Seminário Latam da Câmara Espanhola de Comércio no Brasil, que reuniu representantes de empresas e instituições para abordar as tendências da região após a pandemia de covid-19.

Doyle argumentou que a redução da desigualdade dependerá da geração de emprego, fator que está relacionado com o investimento privado e com os processos de digitalização.

"A digitalização oferece, mas também demanda. Precisamos investir na formação de profissionais com novas habilidades e competências ('upskilling')", enfatizou.

A líder em consultoria de tecnologia da PwC no Brasil, Andrea França, afirmou que a pandemia acelerou a necessidade de capacitação dos trabalhadores para melhorar suas competências digitais.

Segundo um estudo da empresa, realizado com 32.500 trabalhadores de 19 países, 40% afirmaram que melhoraram suas habilidades digitais durante a quarentena, mas outros números mostram um acesso desigual às oportunidades profissionais e de formação.

O relatório da PwC indica que as oportunidades de capacitação continuam focadas nas pessoas que já têm altos níveis de habilidades, enquanto dois a cada cinco entrevistados acreditam que seus trabalhos ficarão obsoletos nos próximos cinco anos.

A digitalização também se tornou uma peça fundamental na educação durante a pandemia, segundo lembrou o diretor da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) no Brasil, Raphael Callou, durante o seminário virtual.

"É possível pensar em educação mediada por tecnologia e, no momento atual, é muito oportuno", argumentou.

No entanto, Callou citou a importância da volta às aulas presenciais, ao pontuar que a pandemia teve efeitos "drásticos" na formação de muitos alunos.

"O retorno às aulas é uma emergência com a qual temos que lidar, com todos os desafios, da maneira mais segura possível", acrescentou.

Também participaram do seminário o diretor-geral de finanças da Mapfre no Brasil, Óscar García-Serrano Jímenez, e o vice-presidente de B2B da Vivo, Alex Salgado, que ressaltou a importância do 5G para a "digitalização" do país.