EFELa Paz

O governo da Bolívia condenou nesta terça-feira a recente manifestação do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sobre a situação da ex-presidente interina boliviana Jeanine Áñez, e anunciou que fará uma queixa diplomática, por considerar as declarações "impertinentes" e uma "ingerência".

O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Rogelio Mayta, concedeu entrevista coletiva para responder a fala de Bolsonaro, que prometeu oferecer asilo político para a ocupante da chefia de governo após a renúncia de Evo Morales.

"Lamentamos as infelizes declarações do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que são absolutamente impertinentes, fazem uma inapropriada ingerência em assuntos internos, não respeitam as formas de relacionamento entre Estados e não vão de encontro com as relações de boa vizinhança e respeito mútuo entre Brasil e Bolívia", disse o chanceler.

Mayta garantiu que "sob nenhuma justificativa, pode ser aceita a ingerência nas decisões que, soberanamente, dizem respeito à justiça boliviana”.

O ministro lembrou que Áñez é acusada de cometer graves violações dos direitos humanos, segundo investigação realizada por um grupo de especialistas independentes enviados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Mayta lembrou as mortes ocorridas em novembro de 2019, em período de intensa convulsão social na Bolívia.

"As graves violações de direitos humanos merecem que seja feita justiça", disse o chanceler.

"Por isso, sequer pensar em uma situação em que Áñez possa escapar da justiça é inadmissível. A impunidade é inadmissível", completou.

Além disso, o próprio ministro das Relações Exteriores garantiu que está ocorrendo trabalho para que seja feita uma "queixa diplomática" pelas declarações de Bolsonaro.

No último domingo, em entrevista ao programa "4 por 4", em transmissão que também exibiu nas suas redes sociais, o presidente brasileiro admitiu que estava avaliando a situação de Áñez e a possibilidade de oferecer asilo à boliviana.

"O que for possível eu farei para que ela venha para o Brasil caso assim o governo da Bolívia concorde. Estamos prontos para receber o asilo dela", disse Bolsonaro.

A ex-presidente interina está presa, preventivamente, em La Paz. No último dia 10, ela foi condenada a dez anos de prisão. EFE