EFESão Paulo

Vaiada ao término do primeiro tempo pela torcida que queria ver gols no estádio do Morumbi, a seleção brasileira converteu a pressão em bolas na rede na segunda etapa e venceu a Bolívia por 3 a 0 nesta sexta-feira, na partida de abertura da 46ª edição da Copa América.

O destaque da noite foi Philippe Coutinho, autor de dois gols. O primeiro veio aos quatro minutos do primeiro tempo, em cobrança de pênalti marcada com o auxílio do VAR. O árbitro argentino Néstor Pitana, que havia ignorado o lance, voltou atrás ao conferir no vídeo que Josini interceptou com o braço um cruzamento de Richarlison.

O segundo saiu logo depois, aos sete minutos, desta vez com a bola rolando. Roberto Firmino avançou pela direita, viu Coutinho entrando na área e cruzou na medida para o meia de 1m72 de altura cabecear livre.

Quem fechou a conta foi Éverton, que entrou no lugar de David Neres aos 35 minutos e marcou um golaço aos 39, ao arrancar sozinho pela esquerda, cortar para o meio e mandar no ângulo.

A seleção brasileira foi a campo com camisa branca e short azul, uniforme que havia sido usado pela última vez em maio de 2004, em amistoso com a França (que terminou empatado em 0 a 0) por ocasião do Centenário da Fifa. Desta vez, a utilização marca os 100 anos da primeira conquista do Brasil, o Campeonato Sul-Americano de 1919.

Uma das esperanças da Bolívia para conseguir um bom resultado era o goleiro Carlos Lampe, que fechou o gol no último confronto entre as seleções, um empate de 0 a 0 em La Paz, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia, em outubro de 2017. O camisa 1 salvou a equipe visitante no primeiro tempo e só foi superado a partir da penalidade máxima.

O outro pilar da equipe, o atacante Marcelo Moreno, ex-Vitória, Cruzeiro, Grêmio e Flamengo, era praticamente o único homem adiantado e pouco participou do jogo, já que a Bolívia praticamente não atacou.

Além da vitória, o Brasil manteve a escrita de não perder em São Paulo há 55 anos. O último revés foi diante da Argentina, que ganhou de 3 a 2 no Pacaembu, no dia 3 de junho de 1964, pela Taça das Nações.

Já a Bolívia, que está em processo de reestruturação, não vence uma partida há oito meses, desde quando derrotou a modesta seleção de Mianmar por 3 a 0 em amistoso disputado em outubro do ano passado.

O triunfo no Morumbi deixa o Brasil temporariamente na liderança do grupo A, com três pontos. Venezuela e Peru se enfrentarão no sábado, na Arena do Grêmio, pela outra partida da primeira rodada da chave.

O primeiro tempo foi de domínio absoluto do Brasil, que levou mais perigo no início do jogo, principalmente nas arrancadas de Richarlison pelo lado direito e nos escanteios cobrados por Philippe Coutinho.

Na melhor das chances, logo aos quatro minutos, Coutinho cruzou e Firmino pegou de primeira na pequena área, mas Lampe defendeu no reflexo. Pouco depois foi a vez de Thiago Silva subir sozinho e cabecear para fora.

Aos 29, o goleiro boliviano rifou mal a bola, que parou nos pés de Richarlison. Com o gol vazio, atacante arriscou de fora da área e carimbou Jusino.

O Brasil foi para o vestiário sob vaias, mas voltou com uma postura mais ofensiva, e deu resultado. Coutinho marcou aos quatro minutos, em cobrança de pênalti "marcado" pelo VAR, e aos sete, após cruzamento preciso de Firmino.

Mesmo sem exigir grandes defesas de Lampe, a seleção brasileira manteve a pressão durante todo o segundo tempo e não deu opções ao adversário. O técnico Tite aproveitou para trocar todo o ataque da equipe, tirando Firmino para a entrada de Gabriel Jesus e Richarlison para colocar Willian.

Éverton, que entrou no lugar de David Neres, em pouco tempo mostrou serviço. Em jogada individual pela esquerda, após quatro minutos em campo, marcou um golaço em chute cruzado à esquerda de Lampe, que se limitou a olhar a bola morrer no fundo da rede

Ficha técnica:.

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís; Casemiro, Fernandinho e Philippe Coutinho; Richarlison (Willian), David Neres (Éverton) e Roberto Firmino (Gabriel Jesus). Técnico: Tite.

Bolívia: Lampe; Diego Bejarano, Haquin, Jusino e Marvin Bejarano; Justiniano, Saucedo (Wayar), Castro (Ramiro Vaca), Chumacero e Saavedra (Vaca); Marcelo Moreno. Técnico: Eduardo Villegas.

Árbitro: Néstor Pitana (Argentina), auxiliado pelos compatriotas Hernán Maidana e Juan Pablo Belatti.

Gols: Coutinho (2) e Éverton (Brasil).

Cartões amarelos: Coutinho (Brasil); Saucedo (Bolívia).

Estádio: Morumbi, em São Paulo.