EFENova Jersey

Dois meses e um dia depois de ter sido derrotado pela Bélgica por 2 a 1 nas quartas de final da Copa do Mundo, o Brasil iniciou um novo ciclo nesta sexta-feira com vitória sobre os Estados Unidos por 2 a 0 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, chegando a 18 triunfos em 19 partidas contra os americanos.

Mantido no cargo apesar de não ter conduzido a seleção ao hexa, Tite manteve a base do time que foi à Rússia. A grande novidade do treinador foi ter terminado com o rodízio de capitães e efetivado Neymar com a braçadeira.

O camisa 10 não brilhou e nos minutos finais bateu boca com um adversário, mas mesmo assim conseguiu deixar sua marca, pouco antes do intervalo, em cobrança de pênalti sofrido por Fabinho. Antes, Roberto Firmino havia assinalado o primeiro após boa jogada de Douglas Costa.

A segunda partida pós-Copa do time de Tite está marcado para a próxima terça-feira, contra El Salvador, em Washington. Já os EUA, que derrotaram os pentacampeões mundiais apenas uma vez, na Copa Ouro de 2018, disputarão clássico da América do Norte contra o México no mesmo dia, na cidade de Nashville.

Entre os 11 jogadores começaram jogando pelo Brasil, dez estiveram na Copa, sendo que cinco deles eram considerados titulares. O único que não esteve na Rússia foi Fabinho, que há pelo menos dois anos se tornou volante, mas que foi escalado por Tite em sua posição de início de carreira, a lateral direita.

Fora do último Mundial, os EUA passam por renovação e sequer têm um técnico efeito. Dave Sarachan é interino há seis meses, e a federação espera contratar alguém até o fim do ano.

Mais técnica e mais organizada, a equipe visitante não demorou a se impor e fez 1 a 0 aos dez minutos do primeiro tempo. Douglas Costa acelerou pela direita, se aproximou da área e cruzou por baixo. Firmino apareceu livre e escorou para a rede.

O Brasil continuou tendo a bola, mas jogava em um ritmo lento, e voltou a incomodar apenas aos 25. Neymar encarou a marcação pela esquerda e a bola chegou até Coutinho, que mandou para o meio. A defesa cortou parcialmente, Casemiro ficou com a sobre e bateu para fora.

Homem mais inspirado da seleção até então, Douglas Costa fez boa jogada individual e procurou Neymar, mas o camisa 10 chegou atrasado e não concluiu, aos 30. Logo em seguida, aos 33, os americanos enfim incomodaram, em passe de Arriola para McKennie, que ficou cara a cara, mas parou na grande defesa de Alisson.

O segundo gol ia amadurecendo e quase aconteceu aos 38. Coutinho progrediu pela esquerda e tocou para a área. Firmino não conseguiu arrematar, Neymar tentou e foi bloqueado. Fabinho pegou o rebote no bico da área e encheu o pé, e o goleiro Steffen fez ótima intervenção.

De tanto insistir, a equipe pentacampeã ampliou aos 42 minutos, em pênalti mal marcado. Fabinho invadiu a área, recebeu o contato de Trapp e caiu. O mexicano Fernando Guerrero apontou a marca da cal, Neymar cobrou com extrema categoria e fez o segundo.

A segunda etapa começou com um contra-ataque perigoso do Brasil, logo no primeiro minuto. Douglas Costa arrancou e Firmino perdeu, mas Fred ficou com o rebote e bateu por baixo. Steffen deu um tapinha antes que alguém aparecesse para concluir.

Douglas Costa voltou a perturbar a retaguarda americana aos oito ao carregar da direita para o meio e fazer ótima enfiada para Neymar, que, de frente para Steffen, chutou sem força. O goleiro espalmou, e Miazga cortou antes que Firmino chegasse.

Embora seja volante, McKennie era o único a levar algum perigo a Alisson. Aos 19, após cobrança de falta pela direita, o jovem meio-campista apareceu por trás da defesa e bateu rente à trave esquerda. Mais tarde, aos 26, Trapp teve espaço pela direita e arrematou para defesa difícil de Alisson.

Com o passar do tempo, Tite mexeu na equipe e promoveu as estreias de Arthur, Lucas Paquetá, Everton e Richarlison, além da volta de Dedé após cinco anos e meio. O defensor não vestia a amarelinha desde a goleada sobre a Bolívia por 4 a 0 em abril de 2013. Willian, titular na Copa, também entrou.

Muito mexido, o Brasil continuou tendo maior posse de bola, mas já não conseguia criar tanto, em parte por mérito dos EUA, que adiantaram a marcação. Aos 36, em uma das poucas vezes em que pegou na bola, Richarlison partia livre, mas foi flagrado em posição de impedimento.

O último ataque de maior relevância foi da seleção anfitriã, aos 42 minutos, em mais lançamento para a área. Zardes subiu mais que a defesa brasileira, mas não pegou bem na bola e cedeu tiro de meta.

Ficha técnica:.

EUA: Steffen; Yedlin, Miazga, Brooks e Robinson; Trapp (Roldán), Adams, McKennie (Delgado) e Arriola (Acosta); Wood (Zardes) e Green (Weah). Técnico: Dave Sarachan.

Brasil: Alisson; Fabinho, Marquinhos, Thiago Silva (Dedé) e Filipe Luís; Casemiro, Fred (Arthur) e Philippe Coutinho (Lucas Paquetá); Douglas Costa (Willian), Neymar (Everton) e Roberto Firmino (Richarlison). Técnico: Tite.

Árbitro: Fernando Guerrero (México), auxiliado pelos compatriotas Alberto Morín e Andrés Hernández Delgado.

Estádio: MetLife Stadium, em Nova Jersey.