EFEGenebra (Suíça)

Uma equipe de cientistas da Universidade de Genebra, na Suíça, liderada pela astrofísica Emily Rickman, anunciou nesta quarta-feira a descoberta de cinco planetas fora do Sistema Solar com massas de três a 27 vezes maiores que a de Júpiter.

O achado aconteceu graças a 20 anos de trabalhos no Observatório de La Silla, situado nos arredores do deserto do Atacama, no Chile.

"Todos os planetas estão dentro de nossa galáxia, no que chamamos de 'vizinhança do Sistema Solar', com distâncias que variam entre 113 e 156 anos-luz", explicou Rickman à Agência Efe.

Desde que o primeiro exoplaneta foi descoberto em 1995, mais de 4 mil corpos celestes deste tipo foram encontrados no Universo.

Os astros apresentados hoje pela Universidade de Genebra, por sua vez, apresentam a particularidade de estarem posicionados longe de suas estrelas, por isso suas órbitas de translação duram entre 15 e 40 anos terrestres.

Apenas algumas dezenas de exoplanetas conhecidos têm órbitas superiores a 15 anos, já que, para confirmar sua existência, costuma ser necessário esperar que os mesmos completem pelo menos uma volta ao redor de suas estrelas. De fato, a universidade precisou de duas décadas de trabalho para identificar esses cinco astros.

"Por estarem tão longe de suas estrelas, é muito pouco provável que possam acolher formas de vida, mas são planetas muito interessantes porque, dada a sua distância (em relação à Terra), poderemos no futuro próximo fazer imagens deles diretamente", afirmou Rickman.

"Entender os planetas em diferentes tipos de sistemas estelares pode nos ajudar a compreender nosso próprio Sistema Solar e ver como ele se formou e evoluiu", acrescentou a especialista.

Para a observação dos exoplanetas descobertos a Universidade de Genebra utilizou um telescópio próprio especialmente projetado para esse fim, o Leonhard Euler (situado no Observatório de La Silla), dotado com o espectrógrafo Coralie, que permite medir a velocidade radial desses corpos celestes.

Atualmente, há dois métodos principais para descobrir exoplanetas: a detecção de trânsitos, que são pequenas oscilações de luz quando os corpos passam diante de suas estrelas, e a mencionada medição da velocidade radial, que analisa variações na velocidade em que uma determinada estrela se afasta ou se aproxima da Terra.

Essas variações acontecem quando um objeto menor orbita um maior, como por exemplo um exoplaneta que circunda uma estrela, o que pode produzir mudanças de posição e velocidade deste último.