EFEBruxelas

A Comissão Europeia (CE) disse nesta terça-feira que não pode fazer mais pelos imigrantes a bordo do navio da ONG Open Arms, enquanto os países da União Europeia (UE) não se prontificam a propor uma solução para o desembarque ou para a realocação destas pessoas.

Nenhum Estado-membro solicitou ao Executivo comunitário a coordenação destes trabalhos e Bruxelas não tem competência para ditar onde devem desembarcar os 151 imigrantes resgatados no Mediterrâneo, que estão há 12 dias no navio da ONG à espera da autorização de algum país para que possa atracar.

A eles se somam outras 356 pessoas resgatadas pelo navio Ocean Viking, fretado pelas ONGs Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterranée, que está na mesma situação.

"Encontrar uma solução depende da vontade dos Estados-membros para participar dos esforços de solidariedade. Não temos competências para indicar os lugares para o desembarque ou coordenar as operações de busca e resgate", disse a porta-voz comunitária Vanessa Mock, que reiterou a postura que Bruxelas mantém desde a semana passada.

A porta-voz insistiu que a Comissão continua "seguindo de perto" a situação no Mediterrâneo e que está em "estreito contato" com os Estados-membros, e reiterou sua chamada aos países para que "demonstrem solidariedade e contribuam para uma solução rápida".

"Não há nada mais que possamos fazer desde o lado da Comissão Europeia além do que já fizemos", reiterou.

O Executivo comunitário está em contato com os Estados-membros para explorar as opções caso finalmente aconteça uma realocação dos imigrantes entre os países europeus, nos quais foi abordada também a situação do Ocean Viking, segundo informou a porta-voz.

Por enquanto, nenhum país se ofereceu para acolher os 507 imigrantes. Só Malta aceitou receber 39 dos últimos resgatados pela Open Arms.

De fato, o ministro italiano do Interior e líder do partido ultradireitista Liga, Matteo Salvini, pediu nesta terça-feira que o navio da Open Arms siga rumo à Espanha e assegurou que está "trabalhando" para evitar o desembarque dos imigrantes em seu país.

Com relação ao Ocean Viking, Salvini declarou que a "Líbia mostrou disponibilidade a oferecer um porto de desembarque", apesar de este país africano, em guerra desde 2011, não ser considerado um porto seguro por vários entidades internacionais.