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As companhias aéreas que operam na Espanha preveem que o número de passageiros nesta temporada de outono e inverno cairá até 70% por causa da pandemia de Covid-19, após um verão "nefasto".

A oferta de voos foi maior do que a demanda no verão, apesar de "preços que não eram vistos há muito tempo", disse nesta terça-feira o presidente da Associação de Companhias Aéreas, Javier Gándara, em entrevista coletiva virtual.

Durante a temporada estival, 200 mil voos operaram na Espanha entre junho e agosto, 36% da quantidade do ano anterior. O comportamento da demanda foi ainda pior, com apenas 20% do número de passageiros que viajaram em 2019, apenas 17 milhões.

INVERNO COMPLICADO.

Embora seja difícil prever o que vai acontecer a partir de novembro, Gándara espera um período "muito complicado" de outono e inverno, com uma oferta equivalente a 40% da de 2019 e entre 30% e 35% dos passageiros de um ano atrás.

As companhias aéreas ainda não adaptaram as programações para este inverno aos níveis de demanda previstos, à espera da recente decisão da Comissão Europeia de flexibilizar a regra das autorizações de pouso e descolagem.

Em julho e agosto, voaram na Espanha apenas 24% e 30% dos passageiros que viajaram em 2019, respectivamente, e foram registradas 40% e 55% das operações em relação aos mesmos períodos do ano anterior.

A demanda se contraiu como resultado das restrições que têm vigorado em vários países desde que o Reino Unido recomendou não viajar para Espanha e impôs uma quarentena a viajantes procedentes do país no final de julho.

A incerteza que esta situação gerou entre os consumidores provocou uma queda na procura, impedindo as empresas de levantar voo em agosto, um mês em que havia confiança em uma maior atividade aérea, e colocando dúvidas sobre o inverno.

Este cenário também ocorreu em nível europeu, com uma queda maior no número de passageiros, 81%, do que no número de voos, 64%, no verão.

As companhias aéreas estão em situação de sobrevivência, com perspectivas para o inverno e o final do ano "longe do horizonte de recuperação", lamentou Gándara.

PREJUÍZO EM 2020.

Segundo cálculos da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla em inglês), haverá 48,4% passageiros a menos na Espanha em 2020, uma queda de 133 milhões, o que causa uma perda de rendimento de 15,105 bilhões de euros, recordou Gándara, motivo pelo qual pressiona o governo a adotar um plano de ajuda para a sobrevivência e a recuperação do setor. EFE

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