EFEHavana

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que estuda a "conveniência" do uso de criptomoedas para as operações econômicas no país, imerso em uma forte crise e com dificuldades para ter acesso aos mercados financeiros internacionais.

Em reunião virtual com governadores, noticiada pela televisão estatal, o mandatário disse que a população será informada sobre as decisões que possam ser tomadas sobre o assunto.

A alusão ao possível uso de criptomoedas chega em um momento de grave crise econômica em Cuba, que busca divisas para reequilibrar as finanças e garantir os produtos básicos para a população.

O déficit endêmico, a não participação em organizações multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a elevada dívida, os repetidos descumprimentos de pagamentos e os efeitos do embargo dos Estados Unidos dificultam o acesso de Cuba aos mercados financeiros e às transações internacionais.

A utilização de criptomoedas poderia facilitar algumas destas transações, de acordo com especialistas. O primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba alertou, entretanto, para as operações com empresas supostamente fraudulentas que trabalham com investimentos em criptoativos.

Sem mencionar o caso específico da Trust Investing - uma plataforma de investimento em criptoativos com dezenas de milhares de afiliados no país, apontada por alguns como um esquema em pirâmide - o governante disse que estas entidades "não são promovidas nem endossadas pelo Estado cubano".

O director da Trust Investing em Cuba, Ruslan Concepción, foi preso no final de abril por suposta "atividade econômica ilícita" e permanece preso, de acordo com a família. As autoridades não revelaram o seu paradeiro nem outros detalhes sobre o caso.

O engenheiro industrial de 28 anos alegou ganhar mais de US$ 1 mil por dia com os investimentos na plataforma, a qual afirma ter uma rede de representantes em Brasil, Espanha, Cuba, Inglaterra, Itália, México e EUA.