EFESão Paulo

O bispo dom Pedro Casaldáliga, um dos promotores da Teologia da Libertação e dos direitos dos indígenas, faleceu neste sábado no município de Batatais, em São Paulo, aos 92 anos, informou a congregação dos Claretianos.

O espanhol Casaldáliga, que morava no Brasil desde 1968, estava internado em Batatais, com uma pneumonia com derrame pulmonar. Seu estado de saúde já era delicado há anos, pois ele também sofria de Parkinson.

Reconhecido no Brasil por seu intenso trabalho social e defesa dos mais vulneráveis, Casaldáliga era conhecido como o "bispo do povo" por sua defesa dos povos indígenas da Amazônia e pela luta contra a violência no campo.

O missionário Ronaldo Mazula, da Congregação Claretiana de Batatais, informou à Agência Efe que o bispo faleceu às 9h40 (de Brasília).

Em nota, os claretianos, a quem Casaldáliga pertencia, anunciaram que haverá três velórios em sua homenagem: um em Batatais, hoje, e os outros dois na região de Mato Grosso, onde desempenhou a maior parte de seu trabalho pastoral: nas cidades de Ribeirão Cascalheira e São Félix de Araguaia, onde será sepultado.

Além disso, amanhã será celebrada uma missa em homenagem ao religioso em Batatais.

Casaldáliga, que foi bispo emérito do Prelado de São Félix de Araguaia, participou da luta contra a violência no campo e da fundação da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, entidades vinculadas à Igreja Católica.

O religioso, filho de camponeses e ordenado sacerdote na Espanha durante a ditadura de Francisco Franco, sofreu ameaças de morte em várias ocasiões, inclusive por sua defesa dos índios Xavante de Marãiwatsédé na retomada de suas terras, que foram ocupadas por invasores.

Além do trabalho pastoral, dom Pedro Casaldáliga foi reconhecido por sua produção literária, tanto em poesia quanto em artigos e obras políticas.