EFEBatatais (SP)

Com uma grave pneumonia e internado há dois dias na unidade de terapia intensiva (UTI) da Santa Casa de Batatais (SP), o bispo dom Pedro Casaldáliga, de 92 anos, um dos mais expressivos representantes da Teologia da Libertação, apresentou pouca alteração em seu estado de saúde, mas está respondendo bem ao tratamento com antibióticos.

"Nas últimas 24 horas, observamos uma estabilidade clínica. Não houve piora do estado respiratório, apesar de ser considerado um paciente grave", afirmou o médico Antonio Marcos Barbosa, que atende o religioso na Santa Casa.

"Notamos um controle da infecção através dos exames clínicos, o que mostra uma resposta ao plano antibiótico proposto", acrescentou.

Ontem, dom Pedro foi submetido a uma drenagem no pulmão esquerdo devido a um derrame, e durante o procedimento foram retirados 600 mililitros de líquido.

Além disso, todos os testes realizados até o momento para detectar se ele tinha sido infectado pelo novo coronavírus deram negativo.

O bispo, que também sofre de Parkinson, chegou na terça-feira a Batatais, no interior de São Paulo, após ser transferido do hospital em São Félix do Araguaia (MT) onde havia sido internado no último domingo.

Segundo a equipe médica da Santa Casa, dom Pedro ainda precisa de "altas frações de oxigênio" que estão sendo fornecidas por meio de uma máscara, sem a necessidade de entubação graças à "fisioterapia intensiva" e à medicação aplicada.

O ritmo cardíaco é "bom", ainda de acordo com a equipe médica, mas ele apresenta algum sofrimento devido à condição pulmonar, e a função renal não apresenta alterações anormais, apesar de sua idade avançada.

"Ele está mais desperto agora do que quando chegou", disse Barbosa, que evitou dar um prognóstico de alta, mas garantiu que o fato de não ter havido piora já é uma notícia positiva.

Reconhecido no Brasil pelo intenso trabalho social, dom Pedro Casaldáliga, cujo nome de batismo é Pere Casaldàliga i Pla, nasceu no município de Balsareny, na província de Barcelona, na Espanha, em 16 de fevereiro de 1928, filho de camponeses.

Conhecido como "bispo do povo" pela defesa dos povos indígenas e pela luta contra a violência no campo, dom Pedro vive no Brasil desde o final dos anos 60, quando deixou o país natal - onde havia sido ordenado sacerdote - durante a época do regime franquista.

Ele participou da fundação da influente Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, organização ligada à Igreja Católica brasileira.

O bispo chegou a sofrer ameaças de morte em várias ocasiões, entre elas por defender os índios Xavante de Marãiwatsédé na retomada de suas terras, que foram ocupadas por invasores.

Além do trabalho pastoral, dom Pedro Casaldáliga foi reconhecido por sua produção literária, tanto em poesia quanto em artigos e obras políticas.