EFEAlida Juliani. Madri

O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, expressou nesta terça-feira ao presidente da Argentina, Alberto Fernández, seu apoio à renegociação da dívida que o país sul-americano trata com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que foi agravada pela pandemia do coronavírus.

Sánchez recebeu Fernández hoje no Palácio Moncloa, sede do Executivo espanhol, como parte da viagem oficial do governante argentino por vários países europeus com o objetivo de obter apoio nas tratativas com a instituição financeira internacional.

"Durante estes longos meses, e também na Cúpula Ibero-Americana, ambos governos têm trabalhado para revisar o mecanismo de sobretaxas do FMI, que está prejudicando muito as possibilidades econômicas e financeiras da Argentina", disse Sánchez, ao lado de Fernández, durante um pronunciamento à imprensa antes da reunião.

A dívida da Argentina junto ao FMI chega a US$ 45 bilhões e o governo argentino pede ao organismo internacional que suspenda a aplicação de sobretaxas aos países que excederam seus créditos, algo que, segundo Fernandez, "objetivamente triplica a taxa paga".

"O que pedimos é que este mecanismo seja suspenso na pandemia e espero que, antes de outubro, o FMI o aborde e o elimine de uma vez por todas", acrescentou o presidente argentino.

A este respeito, Sanchez declarou que a Espanha, juntamente com a Argentina e outros países da América Latina, trabalha para "abrir canais de financiamento internacionais através dos instrumentos que as organizações financeiras internacionais têm para os países de rendimento médio, o que é essencial quando se trata de reativar a economia e recuperar os níveis anteriores de antes da pandemia".

O apoio à renegociação da dívida com o FMI é o principal objetivo da viagem europeia de Fernández, que já obteve o apoio de Portugal após as reuniões que realizou ontem com autoridades portuguesas, além de renegociar a dívida de US$ 2,4 bilhões da Argentina com o Clube de Paris.

ACORDO ESTRATÉGICO COM A ESPANHA.

Em Madri, o presidente argentino, que ainda visitará França, Itália e Vaticano, onde se encontrará com o Papa Francisco, também concordou com Sánchez sobre a necessidade de "consolidar e aprofundar" um acordo estratégico com a Espanha, algo que será abordado na visita que o chefe do Executivo espanhol fará a Buenos Aires nos dias 8 e 9 de junho.

"A Argentina e a Espanha têm de estar absolutamente unidas e trabalhar em consenso. Temos muitos pontos de vista em comum", destacou Fernández, que agradeceu à Espanha pelo apoio reiterado ao seu país perante as agências de empréstimo internacionais.

Segundo Sánchez, este apoio continuará a refletir-se no futuro em áreas como o comércio, graças a um plano de internacionalização da economia espanhola, aprovado hoje pelo governo, com um fundo de 4 bilhões de euros, "onde colocamos a América Latina, e em particular a Argentina, como uma das áreas e países prioritários".

LUTA COMUM PELA VACINAÇÃO UNIVERSAL.

Sánchez e Fernández também concordaram com a necessidade de a vacina contra o coronavírus ser universal, uma posição que a Espanha está defendendo no âmbito da União Europeia (UE).

"Apresentamos um documento de posicionamento no seio da UE para apoiar a liberalização das patentes em relação às vacinas, mas o que também queremos é encorajar a transferência de conhecimentos e tecnologia, aumentar a capacidade de produção, para que seja universal, e promover e acelerar sua distribuição", ressaltou Sanchez.

Por sua parte, Fernández explicou que a Argentina está produzindo o princípio ativo da vacina AstraZeneca, trabalhando junto com o México, e "até o final deste mês teremos o primeiro lote de vacina produzido no México".

Além disso, segundo o presidente argentino, o país já está em condições de começar a produzir a vacina Sputnik e também alcançou progressos importantes na produção da Sinopharm.

"É um imperativo moral e ético que a vacina chegue a todos no mundo. E esse é o esforço que temos de fazer enquanto comunidade global que somos", opinou Fernández.

No encontro de hoje, Fernández também recebeu de Sánchez um novo respaldo em relação à ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.