EFESoldeu (Andorra)

A Espanha vai doar a países da América Latina pelo menos 7,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 neste ano, o que representa de 5% a 10% do número total de frascos que receberá da União Europeia em 2021.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, fez este anúncio durante seu discurso na sessão plenária da XXVII Cúpula Ibero-Americana, realizada na cidade de Soldeu, em Andorra.

Sánchez destacou que a entrega das vacinas à América Latina através do mecanismo de solidariedade internacional Covax ocorrerá assim que 50% dos 47 milhões de espanhóis tiverem sido vacinados. A meta do governo é imunizar 70% dos 47 milhões de habitantes do país até o final de agosto.

A distribuição das vacinas aos países latino-americanos será feita pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), "de acordo com as necessidades de cada um", segundo Sánchez.

"O governo espanhol está profundamente comprometido com a região na luta contra a pandemia. E o acesso às vacinas deve ser igualitário e universal", defendeu o político após vários chefes de Estado expressarem descontentamento sobre a atitude dos países mais ricos no que diz respeito à estocagem de imunizantes.

Sanchez lembrou que a Espanha já aprovou em janeiro seu plano de vacinas solidárias, com apoio econômico para que a Covax comece a comprar doses e as destine a países com menos recursos.

Em linha com a demanda de alguns parceiros latino-americanos, o chefe do governo espanhol também se referiu ao debate sobre a eliminação das patentes de vacinas.

Para ele, os direitos de propriedade intelectual "devem ajudar, e não ser um freio" na luta contra a covid-19. Com isso, se comprometeu a promover esta discussão dentro da União Europeia e da Organização Mundial do Comércio (OMC) para analisar as opções "para avançar da maneira mais eficaz e equitativa possível" nesta matéria.

Em sintonia com o rei da Espanha, Felipe VI, que discursou antes no evento, Sánchez reafirmou o compromisso "eterno" da Espanha com a comunidade ibero-americana, inclusive na superação da crise econômica e social resultante da pandemia.

A recuperação, ressaltou Sánchez, deve ser "inclusiva e sustentável", sobretudo para que os jovens não sejam deixados para trás.

O presidente espanhol também garantiu o apoio da Espanha para que os acordos comerciais da UE com vários países da América Latina, como os do Mercosul, possam ser finalizados.

"Estes acordos serão muito importantes para ambas as regiões", afirmou.

Ele também destacou o papel que a inovação, a ciência e a tecnologia terão na virada da economia, bem como na luta contra a mudança climática.

Assim como o rei, Sánchez falou sobre as vítimas da pandemia de covid-19 e reconheceu o trabalho realizado pelos trabalhadores da saúde e outros grupos sociais.

Em seu discurso, ele também apelou para o desenvolvimento de políticas a favor da igualdade de gênero e incentivou a luta contra a violência contra as mulheres.