EFEBangui

Grupos rebeldes tentaram nesta manhã tomar a capital da República Centro-Africana em ataque repelido pelo Exército, pela missão da ONU no país (MINUSCA) e por tropas ruandesas e russas, em uma nova ofensiva de grupos armados que rejeitam a reeleição do presidente Faustin-Archange Touadéra.

"Nas primeiras horas da manhã, soubemos que agressores tentaram entrar em Bangui por várias frentes", declarou o primeiro-ministro Firmin Ngrebada em redes sociais.

De acordo com o premiê, "os agressores, que chegaram em grande número com a intenção de tomar Bangui, foram contidos energicamente".

"As investigações revelarão todos os autores, coautores e cúmplices desta operação para desestabilizar as instituições", acrescentou.

Após horas de tiroteio e confrontos, as atividades na capital estão totalmente paralisadas e o pânico está presente entre a população.

Em comunicado veiculado na rádio nacional, o ministro do Interior, Henri Wanzé Linguissara, pediu calma e disponibilizou uma linha de telefone gratuita para os cidadãos denunciarem quaisquer movimentos suspeitos.

A circulação de mototáxis foi proibida na cidade porque "são o meio de transporte utilizado pelos rebeldes para se deslocarem facilmente", disse Linguissara.

Em documento de 5 de janeiro dirigido ao representante especial do secretário-geral da ONU no país, o ministro já havia avisado que os rebeldes da Unidade pela Paz na República Centro-Africana supostamente seguiam rumo a Bangui "em veículos brancos" com a insígnia da MINUSCA.

No dia 7 de janeiro, o governo decretou um toque de recolher obrigatório em todo o território nacional das 20h às 5h para combater o avanço dos rebeldes, que três dias antes tinham tomado a cidade de Bangassou, segundo testemunhas consultadas pela Agência Efe, informações que foram negadas pela missão da ONU.

A tentativa de tomar a capital deriva das eleições presidenciais de 27 de dezembro do ano passado. A oposição quer anular e repetir o pleito por considerar que a votação não constitui a "expressão da vontade do povo", uma vez que mais de 40% dos centros de votação não abriram as portas por motivos de insegurança.

Segundo Touadéra, muitas desses grupos armados e milícias são apoiados pelo ex-presidente François Bozizé - o que ele nega -, que nas eleições apoiou o opositor Anicet Georges Dologuelé, derrotado com 21% dos votos.

Dois terços do território da República Centro-Africana, rica em diamante e ouro, estão sendo controlados por milícias desde o golpe de Estado de 2013, cuja violência matou milhares de pessoas e provocou o deslocamento de mais de um milhão de cidadãos.