EFEBudapeste

A filósofa húngara Ágnes Heller, considerada uma das pensadoras mais proeminentes de nossa época, morreu nesta sexta-feira aos 90 anos de idade, informou a Academia das Ciências da Hungria (MTA, na sigla em húngaro).

A fonte não especificou a causa nem o lugar de sua morte, mas, segundo o site "444.hu", a nonagenária teria se afogado nas águas do Lago Balaton, situado a cerca de 100 quilômetros de Budapeste, em uma praia na cidade de Balatinalmádi.

"Ela foi nadar na praia próxima da residência de veraneio da Academia das Ciências da Hungria e não retornou", reportou o veículo de informação.

Ágnes, nascida em Budapeste em 12 de maio de 1929 em uma família judia, foi integrante da MTA e professora em várias universidades da Hungria, como as de Szeged e Budapeste, e também lecionou em outras cidades do mundo.

A filósofa, que conseguiu evitar ser deportada para os campos de extermínio nazistas no final da Segunda Guerra Mundial enquanto vários de seus familiares foram assassinados pelo regime hitlerista, era especialista em ética, história, estética e filosofia cultural e histórica.

Depois da guerra, Ágnes se uniu ao movimento sionista, mas após conhecer o homem que viria a se tornar seu primeiro marido, István Hermann, se afastou do movimento e passou a fazer parte do Partido Comunista.

Discípula e depois assistente do filósofo György Lukács, fundador da "Escola de Budapeste", Ágnes obteve o doutorado na disciplina na Universidade de Budapeste em 1968.

Após vários anos de dificuldades por seu pensamento crítico com o regime comunista da Hungria na época, a filósofa emigrou primeiro para a Austrália, em 1977, e depois para os Estados Unidos em 1986, onde sucedeu a alemã Hannah Arendt como professora de filosofia na New School for Social Research de Nova York.

A autora de "Sociologia da Vida Cotidiana" também compartilhou seu conhecimento nas salas de aula de diversas universidades do planeta, como nas cidades de São Paulo, Berlim (Alemanha), Turim (Itália) e Viena (Áustria).

Depois da queda da Cortina de Ferro em 1990, Ágnes retornou à Hungria, onde começou a lecionar na universidade de Szeged, no sul do país, e mais tarde na de Budapeste.

A filósofa era integrante da MTA desde 1995 e se aposentou em 1999. É autora de diversos livros, ensaios e artigos que foram traduzidos para vários idiomas.

Nos últimos anos, Ágnes também se posicionou como uma das maiores críticas na Hungria das políticas do atual primeiro-ministro do país, o nacionalista de extrema-direita Viktor Orbán.