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Garantir a segurança na Catalunha durante as eleições gerais espanholas do próximo domingo se tornou uma das principais missões para o governo espanhol, enquanto continuam na região as mobilizações de grupos independentistas radicais.

Desde o último dia 14, quando foram divulgadas sentenças de prisão para os líderes do processo de secessão vivido na Catalunha em 2017, vêm sendo realizados protestos de independentistas. Alguns grupos ameaçam atuar durante a jornada eleitoral e na véspera, conhecida na Espanha como dia de reflexão, durante a qual é proibido fazer campanha política.

O atual presidente do executivo e candidato à reeleição, Pedro Sánchez, advertiu nesta quarta que quem participar de atos desse tipo enfrentará acusações penais contundentes e garantiu que todas as instituições, em alusão ao governo autônomo catalão, controlado por independentistas, devem garantir a segurança e a realização da votação.

O governo espanhol mobilizou um grande número de agentes policiais na Catalunha para assegurar o desenrolar normal de comícios na região. Sánchez destacou a cooperação entre a polícia e a guarda civil espanholas e a polícia autônoma da Catalunha, classificada por ele como "excelente".

SEGURANÇA NA CATALUNHA É ARGUMENTO DE CAMPANHA

A segurança da votação na Catalunha devido ao desafio da Catalunha está sendo um dos principais assuntos desta campanha eleitoral, principalmente pelos partidos do bloco da direita, que acusam a esquerda de um possível entendimento com os independentistas se precisarem de votos no Congresso de deputados para poder governar.

Hoje mesmo, a ex-presidenta do Congresso e número dois na lista do Partido Popular (PP) por Madri, Ana Pastor, responsabilizou Sánchez pelo que possa acontecer na região e lhe exigiu que "esteja a altura caso haja confusão na jornada eleitoral. "A responsabilidade é do senhor Pedro Sánchez", afirmou.

Como resposta, a vice-presidenta do governo, Carmen Calvo, se mostrou convencida que as eleições transcorrerão com total normalidade. Além disso, pediu à direita para parar de especular uma suposta falta de segurança.

"Somos um dos países mais seguros do mundo e temos um dos procedimentos de convocação eleitoral, também de apuração de resultados, melhores e mais rápidos do mundo", declarou Calvo, que admitiu que a Catalunha vive situação complexa, mas ressaltou que há um aparato policial mais intenso na região há várias semanas.

Neste mês, devido às eleições, houve reforço no dispositivo com mais agentes anti-distúrbios, para um total conjunto de mais de 10 mil policiais de forças distintas.

DESAFIO DE GARANTIR SEGURANÇA E LIBERDADE

Além do governo espanhol, o executivo catalão também tem competências em ordem pública e assegurou que será possível votar normalmente no domingo, ao mesmo tempo em que prometeu garantir o direito aos protestos convocados para a véspera.

Há dias, uma plataforma chamada "Tsunami Democràtic" organizou nas redes sociais protestos e os programou para o dia anterior às eleições. Inclusive, foi especulada a possibilidade de que grupos radicais possam ocupar colégios eleitoras na noite de sábado para impedira a votação, o que é ilegal.

A lei eleitoral espanhola pune, inclusive com pena de prisão, a quem, através de violência ou intimidação, impeça ou dificulte a entrada e saída de pessoas nos colégios eleitorais, assim como aqueles que fizerem propaganda eleitoral depois que a campanha tiver sido encerrada.

Além dos atos anunciados para sábado, vem ocorrendo protestos na praça Universitat de Barcelona, onde centenas de jovens estão acampados há uma semana para demonstrar desacordo com as sentenças contra os líderes independentistas.

A manifestação foi amparada pela Assembleia Eleitoral de Barcelona, que considera que os jovens concentrados não pedem voto a uma chapa específica. Mesmo assim, as autoridades pediram para a polícia garantir que a concentração não interfira na votação de domingo.

Antonia Méndez Ardila.