EFELos Angeles (EUA)

Os membros do principal sindicato da indústria do entretenimento dos Estados Unidos aprovaram por unanimidade, nesta segunda-feira, uma greve que pode paralisar a maioria das produções de Hollywood.

Os quase 60 mil profissionais representados pela Aliança Internacional de Trabalhadores de Palcos Teatrais (IATSE) nos EUA autorizaram o sindicato a organizar uma paralisação as atividades caso não cheguem a um acordo sobre melhores remunerações com a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), a organização que engloba estúdios de cinema e emissoras de televisão.

A consulta teve uma aprovação de 98% e uma participação de cerca de 90% dos afiliados, segundo o sindicato de classe.

"Esta votação é sobre a qualidade de vida, saúde e segurança daqueles que trabalham na indústria cinematográfica e televisiva. Nosso pessoal tem necessidades humanas básicas, como tempo para comer, dormir o suficiente e ter um fim de semana. E aqueles que estão na base da tabela salarial não merecem nada menos que um salário digno", disse o presidente da IATSE, Matthew Loeb.

A votação não representa uma convocação imediata de greve, mas autoriza os representantes da organização a recorrer a esse recurso se não conseguirem melhorar suas condições de trabalho. Entre outras reivindicações estão um aumento das contribuições para seguros de saúde privados e planos de aposentadoria.

A maioria dos membros do sindicato está com contratos temporários como técnicos, artistas e funcionários que trabalham em áreas como figurino, design de cenários e iluminação.

Uma paralisação nas filmagens seria extremamente prejudicial para os estúdios de Hollywood, que já sofreram vários atrasos devido à pandemia de covid-19 e investiram em plataformas como Disney+ e HBO Max, cujo modelo de negócios precisa de um fluxo constante de novos conteúdos para reter assinantes.

Além disso, outras entidades de classe, como os sindicatos de atores (SAG) e roteiristas (WGA) apoiam as exigências da IATSE.

A última greve que atingiu Hollywood foi convocada em 2017 pelo sindicato dos roteiristas e afetou as filmagens e transmissões televisivas durante 100 dias.

Por sua vez, a IATSE, que engloba uma gama mais ampla de profissionais, nunca convocou uma greve em seus mais de 120 anos de história. EFE