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Os maiores representantes da Igreja Católica da Espanha defenderam nesta sexta-feira a existência de cursos de "cura espiritual" para homossexuais que precisam de "ajuda e acompanhamento", apesar de afirmarem que isso não constitui uma "terapia restaurativa".

"Trata-se de acompanhar as pessoas que desejam discernimento espiritual", disse o secretário-geral da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), Luis Argüello, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, na qual destacou que a homossexualidade "não se cura".

Argüello se referia aos supostos cursos para "curar" homossexuais que aconteciam na cidade de Alcalá de Henares e que estão sendo investigados pelo governo regional após várias denúncias.

As denúncias foram feitas depois que dois jornais online, "Eldiario.es" e "El Confidencial", publicaram a existência desses cursos ministrados por um bispo conhecido por suas posições bastante conservadoras.

A informação se baseava na reportagem de um jornalista que assistiu a uma sessão de tratamento oferecida "para 'curar' homossexuais" em um Centro de Orientação Familiar que pertencente à diocese de Alcalá de Henares.

"São exercícios de manipulação da verdade e desinformação proposital", disse Argüello.

Ele defendeu a liberdade de consciência dos indivíduos para buscar "ajuda e acompanhamento" em pessoas e instituições que mereçam confiança, como pode ser a Igreja.

"A 'cura espiritual' tem consequências na vida das pessoas para o bem, mas não existe tratamento de restauração", ressaltou o secretário-geral, que explicou que é usual que a Igreja Católica utilize o termo "saúde, cura e curar" mas apenas do ponto de vista espiritual.