EFEViena

O Irã segue violando os compromissos do acordo firmado em 2015, para evitar o desenvolvimento de armas atômicas, ao acumular mais urânio do que a quantidade e pureza permitidas, e produzir combustível nuclear, conforme informou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

O país começou a enriquecer urânio na fábrica de Fordo, um centro que, de acordo com o pacto deveria estar voltado para pesquisa, e também passou a acumular o elemento químico em centrífugas muito mais modernas do que o permitido, com que poderia acelerar a produção de combustível nuclear.

O governo iraniano argumenta que estas violações são irreversíveis e que são uma resposta a decisão dos Estados Unidos de abandonar unilateralmente o acordo do ano passado e voltar a impôr sanções ao país asiático.

O informe elaborado pela AIEA, órgão independente vinculado à ONU, aponta que o Irã acumulou 372,3 quilos de urânio enriquecido, o que equivale a 550 quilos de hexafluoreto de urânio (UF6), um material que não se pode armazenar mais de 300 quilos, segundo o acordo.

Dos 372,3 quilos, 159,7 quilos têm uma pureza de até 4,5%, acima da margem de 3,67%, definido como limite em um "plano conjunto de ação" (JCPOA, pela sigla em inglês).

Estes níveis são inferiores aos 90% necessários para que o urânio possa alimentar uma bomba nuclear, e mesmo aos 20% alcançados pelo Irã antes do acordo.

No entanto, uma fonte diplomática do alto escalão afirmou hoje à Agência Efe que não há nenhum indicativo que o Irã esteja se preparando para superar esse nível, mas que poderiam fazê-lo a qualquer momento.

Essa fonte, que pediu para não ser identificada, assinalou que o ritmo de produção de urânio enriquecido passou de aproximadamente quatro quilos por mês, antes de o Irã decidir superar o limite, em maio, a mais de 100, no mês passado.

Além disso, a quantidade seria ainda maior, de acordo com a fonte, quando a fábrica de Fordo estiver totalmente operativa, onde o Irã anunciou a instalação das centrífugas de urânio mais modernas do que o permitido.

A AIEA também assinala que o Irã está preparando para um novo local para testar as centrífugas, que não está incluído no acordo. A Agência Internacional admite já ter sido informada da iniciativa.

O relatório também aponta que a questão da detecção de partículas de urânio natural, não enriquecidas, submetidas a algum tipo de manipulação, ainda não foi resolvida, e que o Irã forneceu explicações que a AIEA não considera satisfatórias.

Embora o relatório não o mencione, a fonte diplomática também se referiu à recusa do Irã, há duas semanas, de permitir o acesso a uma inspetora da AIEA, depois de um detector de explosivos ter sido ativado durante uma revista aos seus pertences pessoais.

A AIEA criticou o fato deste inspetor não ter sido autorizado a deixar o Irã "temporariamente" e divulgou não ter concordado com as explicações dadas pelos iranianos.

Os Estados Unidos denunciaram que o inspetor foi "preso", algo que foi negado pelo Irã.